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domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Consumismo como meio de distribuição de renda


Ontem a noite estava apenas perpetuando uma tradição da minha família desde que me conheço por gente: fazer cachorro quente em casa para o jantar, quando me ocorreu um pensamento um tanto quanto intrigante: "- Isso é pura concentração de renda..." Deixe-me explicar: Vou ao mercado e com algo em torno de R$ 10-12,00 compro todos os ingredientes para um BOM cachorro quente que com a adição de pães pode servir de refeição para mim e minha esposa por até 3 noites. Até aí tudo bem, o detalhe é que volta e meia estou com preguiça ou algo assim e vou à esquina e compro 2 "sebosões" por  80-90% do valor que eu gastaria para me alimentar por 3 noites. Isso parece bastante agradável se você for um "quebrado" como eu... X) Mas o grande detalhe aqui é que ao economizar eu não compartilho com a sociedade esse valor. É CLARO que estamos falando de sanduíches e cachorros quentes na perspectiva de pessoas que fazem o melhor para ter uma vida minimamente razoável, contudo se você pensar naqueles que tem condições financeiras de  consumir de forma mais livre você perceberá que este grupo tem um potêncial de distribuição de renda MUIT0 maior. Agora por que isso não acontece? Será que eles também fazem cachorro quente em casa para economizar uns trocados? Quase certo que não. O problema é:"Para que direção aponta o consumismo desse grupo?

- Para o "Seu Neco" do "treiller" da esquina, que trabalha diariamente com a família para sobreviver ou para o McDonalds, uma empresa Multibilionária que em muitos países nem sequer trabalha  para ganhar dinheiro com sanduíche e que emprega milhões de jovens, muitas vezes estudantes ao redor do mundo e que muitas vezes recebem o mínimo possivel?

- Para a "Dona Rosa" que costura desde os 10 anos de idade e que aprendeu com a mãe que aprendeu com a avó e que faz excelentes trabalhos ou para a Chanel, outra empresa multibilionária que já empregou escravos e que esteve envolvida em diversos escândalos no decorrer das décadas?

- Estará essa distribuição tomando a direção das rendeiras do nordeste, que carregam nas costas essa tradição e cultura seriamente ameaçada ou para a seda persa que custa os "olhos da cara" e é fruto da exploração de milhares, senão milhões?

- Que tal questionar se essa distribuição está tomando o rumo dos talendosíssimos artesãos que produzem tão belas peças, seja para decoração/ornamentação de ambientes ou mesmo joías, ou para a Christie's/? que vendem produtos luxuosos e que fazem apenas enriquecer os poucos controladores dessa indústria?


Alguns podem argumentar a favor da qualidade de serviço e produto, porém quando isso não se trata de ilusão trata-se de injustiça com indivíduos ou grupos que não tem acesso ao crédito estratosférico de grandes empresas e que teriam caso houvesse uma maior demanda por aquilo que oferecem, ainda que isso não afete seu esforço em fazer o melhor com aquilo que tem?
Enfim, o que precisa acontecer é uma mudança de paradigma que nos permita distribuir a renda de forma mais igualitária ao incentivar a industriosidade do nosso povo. Um ótimo exemplo disso é o que acontece em países de 1o mundo como os Estados Unidos, onde as pessoas não só promovem como também participam dos famosos "Garage Sales" ou " Liquidações de Garagem", onde você paga o filho do seu vizinho para cortar sua grama ao invés de contratar uma grande Empresa do ramo entre outras coisas.


É claro que os exemplos acima citados são passíveis de distorção em vários casos, porém o conceito é verdadeiro, a idéia é o que importa. Dessa forma, redirecionando o fluxo de riqueza para nossos pares, podemos, ainda que nadando contra a maré fazer alguma diferença no desenvolvimento social e humano do bairro, da cidade, estado e mesmo país em que vivemos... Pense nisso na próxima vez que for abocanhar um Big Mac... ;)
Aquele Abraço...