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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Desconstruindo Esteriótipos

E quando o "errado" é necessário...?

Recentemente, como de costume nessa época do ano, tive o prazer de participar da UNISIM (Simulação Inter Mundi da UNI/RN, antiga FARN), que já está na sua VI edição. Ainda que já houvesse participado de outras simulações no passado, essa foi diferente, porque a perspectiva abordada foi completamente nova. Eu, acostumado a simular Comitês Internacionais, pela primeira vez simulei um Tribunal, uma experiência extremamente enriquecedora.

O caso em questão foi o da Itália x Brasil na CIJ (Corte Internacional de Justiça) sobre a extradição do ex-ativista Italiano Césare Battisti. Sem querer adentrar desnecessáriamente no caso, basta-me dizer, que por crenças pessoais, me "candidatei" a representar um dos Advogados da Itália, defendendo a extradição do acusado. Muito para minha surpresa acabei sendo designado como Advogado do Brasil, tendo que defender sua NÃO-extradição. A priori houve o conflito, afinal de contas, como defender algo em que não se acredita? O desafio, no entanto, não tinha NADA a ver com isso.

Como sociedade frequentemente nos deparamos com casos de criminosos sem escrúpulos e/ou corruptos famosos que são defendidos veementemente por seus Advogados. Um dos casos mais recentes é o do "Mensalão" sendo julgado mesmo agora pelo STF. Muitas vezes questionamos: "Como pode alguém dispor-se a defender esse tipo de criminoso? Por que tipo de princípios são norteados?", em outras palavras, atacamos a PESSOA, sem pensar seriamente naquilo que ela está REALIZANDO.

No passado, não muitos séculos atrás ainda tínhamos resquícios de um absolutismo que vedava QUALQUER possibilidade de defesa a QUALQUER pessoa. Dessa forma, tanto criminosos quanto inocentes eram condenados de igual maneira sem QUALQUER diferenciação. QUALQUER pessoa com "meio-cérebro" concordaria que isso é um absurdo. O detalhe que muitas vezes não percebemos é que ao condenar Advogados de Defesa que atuam mesmo em favor de criminosos evidentes, estamos clamando por um estado semelhante aquele que arremessava mulheres no rio amarradas a pesos para descobrirem se eram bruxas caso sobrevivessem ou inocentes caso morressem. Será que é para isso que tantos morreram em eventos históricos como a Revolução Francesa e, mais próximo de nós, durante a Ditadura Militar?

Na verdade, a defesa  no processo penal é um grande serviço realizado à democracia, garantindo que, mesmo condenados recebam tratamento adequado e proporcional ao delito que cometeram. É óbvio que nosso sistema está repleto de falhas que acaba por permitir a impunidade, com a qual não posso coadunar, mas essa culpa não pode ser imposta sobre aqueles que na verdade permitem que o sistema funcione de maneira MINIMAMENTE justa e equânime.

Por fim, confesso que, meu preconceito pelo Direito Penal e em especial pelo Advogado de Defesa caiu por terra depois dessa experiência em que tive a oportunidade de aprender, de forma prática, que mesmo aos piores criminosos é preciso garantir determinados direitos para a manutenção do equilíbrio de um Estado Democrático de Direito.
Aquele Abraço!


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Período Eleitoral - Planos ou Projetos?

Ontem tive a oportunidade de assistir na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) a um debate entre 3 dos principais candidatos a prefeito de Natal, Fernando Mineiro (PT), Hermano Moraes (PMDB) e Robério Paulino (PSOL). Sou um simpatizante declarado do PT, desde muito cedo, ainda que meus pais não fossem muito "políticos" aprendi a admirar o ex-Presidente Lula e   a causa "trabalhista". Confesso que estava animado para assistir a um debate onde o candidato do PT apresentasse propostas concretas e que me dessem uma tranquilidade ainda maior de votar no "13", infelizmente o que vi e ouvi foi nada mais do que aquilo que já estamos acostumados a ouvir em todo e qualquer debate político... NADA! Surpreendeu-me no entanto a posição de um candidato que, por mais que Professor da Universidade a qual pertenço nunca antes ouvira falar... Bastou-me 3 dos 5 blocos para decidir em quem votaria para as eleições municipais de 2012.

A questão aqui, no entanto, não é declarar quem receberá meu voto ou coisa do gênero, essa é uma questão pessoal e ainda que me sinta confortável em compartilhar não interessa a todos. Meu ponto e minha preocupação se baseiam na maneira como a quase totalidade dos candidatos a cargos políticos (não) apresentam suas propostas. Uma frase que me revoltava a cada vez que era dita durante o debate era: "Vamos fazer um governo participativo..." Não que a idéia não seja boa, mas será que alguém pode me explicar "COMO" se pretende fazer isso? É o império do "O QUE" fazer sem qualquer complementação do "COMO", que é justamente o que interessa.

Outro ABSURDO na minha opinião é a disputa velada de quem tem mais conhecimento a respeito de dados, gráficos e histórico. As vezes parece que passaram meses se preparando para um mero concurso público, tudo na ponta da língua como que por uma estratégia de impressionar os ouvintes, quando na verdade qualquer pessoa com meio cérebro entende que dados por si só não significam muita coisa. Um exemplo claro é a questão do lixo em Natal, quem é que não sabe que é um problema GRAVE. Aí depois de muito atacar o problema candidatos concluem: "Farei diferente..." "Limparemos a Cidade..."  e coisas do gênero.

Na contramão dessa atitude simplesmente informacionista estão aqueles candidatos de partidos menos representativos, que de forma exatamente oposta apresentam, ainda que por vezes de maneira quase cômica, todo o tipo de solução "concreta" para os problemas. O que me pergunto é porque eles o fazem enquanto aqueles de coligações com maiores possibilidades flagrantemente se negam? Existe muito da política que não temos acesso ou não entendemos, e grande parte disso acredito passar pelo financiamento de campanhas e alianças. São simplesmente MUITOS interesses conflitantes em jogo. Temos a ilusão de que temos 3, 4, 5 candidatos, quando na verdade por trás deles existem DEZENAS de legendas que só encontram sua razão de ser na contraposição de idéias umas das outras. Diante desse quadro fica fácil deduzir o preço de aglutiná-las sob uma única bandeira em época de eleição... um preço que pagamos durante 4 anos de mandato.

Em face desse cenário me pergunto se é realmente estável e eficiente o sistema política TÃO difuso que temos no Brasil, que mais divide do que separa. Sem apologias extremistas, recentemente vi um debate entre alguns amigos americanos por meio de uma rede social e me senti obrigado a externar meu espanto pelo nível das discussões que travavam. Sem dúvida alguma isso só é possível pela menor diversidade, ainda que com maior objetividade, das propostas, uma vez serem apenas DOIS partidos disputando UM cargo. Já em terras tupiniquins temos 1 ZILHÃO de partidos, cada um com uma proposta que se diferencia do outro por UMA VÍRGULA e que acaba legando ao eleitorado uma tarefa praticamente IMPOSSÍVEL, que seria a de conhecer o plano de governo e/ou propostas de CADA candidato e correspondentes legendas aliadas para melhor avaliar em quem votar. Isso me leva a questionar mais uma vez a possibilidade de abuso mesmo do Direito Fundamental à Liberdade de Expressão Política, uma vez que por essas bandas somos tão incapazes de argumentar e chegar a um senso comum, que nos é simplesmente mais fácil diante de divergência romper e criar um novo partido e uma nova dor de cabeça para a sociedade.

Por fim o que se vê são candidatos FRAQUÍSSIMOS do ponto de vista político com ampla vantagem diante de outros flagrantemente melhor preparados mas que NUNCA ganharão uma eleição pelo simples fato de serem desconhecidos em face de caciques e coronéis da política local e nacional. Uma triste realidade que mais parece um ciclo vicioso... Como romper!?
Aquele Abraço!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Alimentação

Viajei numa Terça-Feira sabendo que, até a Segunda-Feira seguinte, quando retornaria, não haveria de ver um prato de Arroz e Feijão na minha frente... Bem, foi EXATAMENTE isso que aconteceu.

Logo que chegamos em Indianápolis, por volta de 12h nos dirigimos para o Hotel passando pelo centro da cidade. Fizemos um leve reconhecimento da área e logo verificamos que nossas previsões estavam corretas. Por mais que as opções de alimentação fossem muitas, basicamente se resumiam a 75% de Fast Food! Os poucos restaurantes visíveis "a olho nu" da rua que serviam outros tipos de pratos quentes simplesmente passavam despercebidos diante do volume de pessoas se enfileirando para entrar em um dos restaurantes que servisse um bom Hamburguer com Coca-Cola disponíveis. Resistimos a tentação e nos dirigimos ao Hotel para deixar as malas. Logo no retorno para o centro para registrar-nos no evento que participaríamos, não nos contivemos e demos uma passadinha no Dunkin' Donuts logo na esquina próxima ao ponto de ônibus. Nos bastou 1 "Donut" para ficarmos loucos e querermos mais. Resistimos mais uma vez e fomos para o centro. Lá chegando encontramos o refúgio do faminto: "Steaks 'n Shakes", um restaurante com ares de anos 50, colorido e com garçonetes vestidas como nos filmes. O sentimento de que éramos figurantes desavisados de algum filme americano fez apenas intensificar. Logo decidimos o que queríamos comer e comemos, mas comemos MESMO! Lembro do sentimento de que não precisaria comer novamente por um bom tempo. Foi uma BAITA sanduíche, batata frita e refrigerante. Tudo por meros US$ 6,00. =O Uma refeição meramente semelhante em nossa breve passada em São Paulo me custara R$ 25,00 e um sentimento de desconforto quase inconsolável no bolso. =P

Os dias que se seguiram foram meras repetições. Sempre que pudemos fomos ao Stakes 'n Shakes, e no dia que não fomos descobrimos um Burger King meio que no meio do nada, onde fizemos uma refeição as 13h absolutamente SOZINHOS no restaurante ao som de uma música que passamos o resto da viagem, sem sucesso, tentando lembrar qual era mas que até agora reverbera um sentimento gostoso de... Sei lá! =D Descobrimos a máquina dos desejos... Por meio de uma tela "touch-screen" você escolhia um dentre os quase incontáveis (tudo bem, eram 6 mas para quem só conhece UM... =D) sabores de Coca Cola disponíveis. Nos esbaldamos e divertimos num lugar que mais parecia fruto da nossa própria imaginação... Sentíamo-nos como "lambaris de sanga", "gordo de camisa nova", "pintos no lixo"...

Agora nem tudo são flores... Não precisou muito tempo para começarmos a perceber o resultado de tanto descuido com a alimentação. Para todos os lados que olhávamos víamos homens e mulheres que mais pareciam "ogros", um inclusive que estava do meu lado quase que o tempo inteiro, a quem os amigos carinhosamente chamam de "Gordo"... =D Mas até mesmo ele, em alguns momentos pareceu pequeno diante daquilo que víamos. Mais preocupante ainda é a consciência de que os principais perigos desse comportamento são sequer visíveis a olho nu, mas podem ser tão fatais quanto qualquer veneno administrado em dose letal.

Felizmente, no nosso retorno vimos na cidade algum tipo de evento esportivo, se corrida ou caminhada não estou certo, que colocou nas ruas gente de todas as idades e "tamanhos". Um consolo válido para esse povo e um lembrete ainda mais importante para mim de que eu estava retornando a realidade onde comer bem e direito era a regra e não a exceção... Esse sim meu lar... DOCE lar...
Aquele Abraço...


PS: Na foto, o "Gordo" saboreando um legitimo "Breakfast"... O suco de Laranja foi resultado de um breve devaneio... =D

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Desperdício

Não é novidade para ninguém o fato de o Americano ser um povo que desperdiça muito os recursos naturais, mas nada como ver com os próprios olhos. Em tudo há um exagero muito grande no consumo, o que acaba por levar ao desperdício. A água, por exemplo, é utilizada de forma indiscriminada nas mais diversas formas, desde a higiene até à alimentação. Num drive-thru perto do Hotel onde estava havia uma orientação clara e exposta para todos os atendentes no que diz respeito ao preenchimento dos copos de refrigerante: 2/3 do copo deveria ser preenchido com GELO! DOIS TERÇOS!? É óbvio que todos gostamos de uma bebida gelada para refrescar, o problema é que geralmente ao final da bebida, num caso desses, ficamos com quase meio copo ainda de gelo! Qual será o destino mais provável desse dele, que nada mais é do que água POTÁVEL!? Imagino que para cada copo de 800ml de bebida gelada, perdem-se 200ml de água própria para o consumo. Até quando o planeta poderá sustentar isso?

Outro ponto de desperdício sério é a questão dos combustíveis. Não se vê nas ruas carros pequenos/econômicos, são praticamente todos enquadráveis em 1 de 3 categorias: "Possantes", "Banheiras" (carros antigos, ainda que bem conservados) ou "Gigantes" (caminhonetes, furgões, mini vans e afins), todos com uma característica em comum, um alto consumo de combustível devido à maior potência do motor. Para mim isso foi chocante, por mais que já tivesse houvido falar da história que não há carros 1.0 na terra do Tio Sam, pensar no quanto é disperdiçado com esse comportamente foi estarrecedor. Vale ressaltar, no entanto, que isso é bastante paradoxal, uma vez que o limite de velocidade em TODO lugar não ultrapassa os 80 km/h e isso é tão respeitado que até mesmo os motociclistas se dão ao luxo de pilotar sem capacete, uma vez que todos andam numa velocidade bastante reduzida em qualquer lugar por onde passamos. Acaba que você tem um carro com grande potência e consequentemente grande consumo sem QUALQUER necessidade.

Já que eu me referi às banheiras acima, aproveito para confessar um pecado! =D No hotel do quarto onde estava havia uma banheira... Depois de um dia em que andamos que só e estava MORTO de cansaço não resisti e enchi a banheira para tomar um banho. Ela não era muito grande, mas ainda assim levou mais de 20 minutos para encher uns 60-70% de sua capacidade. O banho foi bom, não posso negar, mas ao pensar a respeito questiono se tal conforto compensa MESMO o desperdício de água associado a ele. Alguns podem até alegar que um banho de chuveiro usa tanta água quanto... Bem, se você toma banho de 20 minutos... A questão toda é que não parece haver uma preocupação com o consumo consciente dos recursos naturais. Vale ressaltar que não estou afirmando que todo americano toma banho de banheira TODOS os dias, e nem que eles são os únicos culpados da extinção dos recursos naturais, apenas que com uma estrutura tão mais facilitada, o desperdício tende a ser "overlooked".

Por fim, fica a lição de que por mais que as vezes pareça que não, os recursos naturais são finitos e nem todo o dinheiro do mundo será capaz de recuperá-los uma vez extintos; não importa quão ricos e poderosos sejamos, a menos que sejamos conscientes HOJE, não haveremos de ter um AMANHÃ.
Aquele Abraço!

sábado, 25 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Preço/Troco

Algo que sempre tive a curiosidade de ver com meus próprios olhos e achei FANTÁSTICO foi o compromisso com aquilo que é anunciado. Em todos os lugares, em especial Supermercados encontramos produtos a R$ 1,89 / R$ 2,59 / R$ 10,88 e por aí vai, isso sem contar o "non sense" dos postos de combustível que chegam a cobrar em décimos de reais. Nos Estados Unidos, e não apenas em Indianápolis, o preço anunciado é o preço a que se vende, nem um centavo a mais, nem um centavo a menos. Logo, ao final do primeiro dia estávamos repletos de "pennies" (moedas de U$ 0,01) no bolso. Agora se o troco é recebido integralmente, o preço também deve ser pago de igual maneira. Eu com a mania feia de arredondar tudo quanto possível para baixo passei vergonha logo no primeiro dia. Tomamos um taxi do centro para o Hotel, e nos guiou um Marroquino GENTE FINÍSSIMA, que parecia entender mais de futebol brasileiro do que muitos por aqui. Ao chegar no hotel a corrida tinha fechado em US$ 24,50. Prontamente saquei US$ 24,00 que tinha trocado no bolso e perguntei se eles pagariam a corrida. Todo sem jeito e humilde ele vira para mim e diz: "Ok, agora só para você saber, aqui trabalhamos com gorjetas..." Foi um balde de água fria! Sua humildade e preocupação genuína em compartilhar uma informação culturalmente importante me acertaram tão forte que eu saquei US$ 5,00 a mais da carteira e dei para ele com o pedido de desculpas e agradecimento. Isso me fez refletir a importância de valorizarmos aqueles que nos servem, fiquei pensando que se fosse eu no lugar ficaria feliz em receber uma "tip" generosa. Quis poder voltar no tempo e expressar minha gratidão pelo serviço e recepção agradável daquele pai de família de maneira mais generosa.

Mas diz-se que aqueles que não aprendem com os erros dos outros é um tolo, mas aquele que não aprende com seus próprios erros é um IMBECIL! Acho que não fui meramente tolo. =D Em nossa última refeição no DELICIOSO "refúgio do faminto" Stakes'n Shakes ao pagar a conta de US$ 14,52 com US 14,50 contados, me deparo com uma cara de: "HELLOOOOO!" e um lembrete de que a conta havia fechado em US$ 14,52 da atendente que não devia estar acostumada com esse comportamento. Imagino eu a reação dela ao receber "balinhas" como troco numa compra qualquer aqui no Brasil. =D

Talvez isso pareça uma grande besteira, mas nunca achei que fosse. Pense no quanto os estabelecimentos comerciais faturam ao "furtar" 1... 2... 3 ou mais centavos em CADA compra que é realizada. Agora tente pagar com menos para ver o que acontece...! =/ Tanto fez diferença que no último dia juntávamos moedas para pagar passagem e almoço graças ao maldito bloqueio da "tarjeta magica" Mastercard de meu amigo e a impossibilidade de "carregar" meu Global Travel por problemas técnicos. Felizmente tínhamos pennies, dimes e quarters o suficiente para pagar quase uma refeição inteira, tudo reunido em 4 dias apenas. Mais uma vez uma lição que vai ficar, ainda que não acredite que serei capaz de reunir muitos centavos no bolso por essas bandas... =D
Aquele Abraço!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Diferenças Raciais, Diferenças Culturais

Todo mundo sabe da miscigenação de raças no Brasil. Desde crianças ouvimos a respeito da história de praticamente todos os que contribuiram para a composição da nação brasileira, e não foram poucos, mas na verdade não sei se entendemos bem o que isso significa e o quanto isso é importante. Indianápolis, de acordo com o senso americano é uma cidade predominantemente branca, contudo não foi isso que nos pareceu, não pelo menos no transporte público. Estou certo de que a minha presença e de meu amigo com cara de russo (=D) aumentou significativamente as estatísticas de brancos utilizando o transporte público. Foi para mim ao mesmo tempo algo assustador e triste. Nas ruas carros de todos os tipos e marcas, todos grandes, potentes e velozes. Dentro deles, a predominância racial se inverte e o que se vê são brancos confortávelmente guiando seus possantes, enquanto negros esperam que o ônibus cumpra seu horário para não se atrasarem para o trabalho. Diante disso confesso que, por mais que ainda tenhamos muito o que melhorar, e TEMOS, somos um povo abençoado que de certa forma compartilha os desafios e sucessos da vida sejamos brancos, pretos, amarelos, marrons ou cor-de-rosa.

Isso me fez pensar a respeito da importância de valorizarmos nossas origens, de respeitarmos o outro e continuarmos a lutar pela igualdade plena, como nossa Constituição visa garantir ao afirmar sermos TODOS iguais.

No que tange a atividade profissional, pouco mudou, por sinal tivemos 3 experiências bastante relevantes. No 2o dia queríamos ir ao Wal Mart para comprar "Doughnuts", "Peanut Butter" e outras raras iguarias as quais temos pouco ou quase nenhum acesso em terras tupiniquins. Para nosso assombro, no entanto, não havia UM Wal Mart sequer no centro da cidade, e o mais próximo nos custou de ônibus algo em torno de 2 horas com a espera na transferência entre linhas. Mas ao buscarmos informações sobre quais linhas poderiam nos levar, descobrimos que a 19 e 17 nos levaria até onde poderíamos pegar o 26 e então chegar ao "paraíso das baganas". Acontece que ao nos depararmos com o ônibus da linha 17 questionamos o motorista por confirmação e ele negou, com cara de "pouco amigos", dando-nos orientações diferentes. Descemos, mas preferimos esperar o 19, que de fato nos levou até onde precisavamos chegar. Durante a "viagem" conversamos com o motorista que foi SUPER GENTE FINA, contou-nos histórias sobre a cidade, compartilhou suas preferências por quadrinhos quando comentamos que estávamos participando de uma Convenção de Games e nos deu todas as instruções para chegarmos ao nosso destino. Até mesmo meu amigo que quase não fala Inglês se animou e "trocou uma idéia" com o tal motorista. Ao chegarmos no ponto para pegar o 26, 5 minutos depois aparece um 17, exatamente aquele que nos foi dito não passar na região pelo 1o motorista. =/ Depois de um bom tempo chegamos ao Wal Mart (ressalte-se que eram 21:00h e ainda o sol brilhava...=D vide foto acima). Infelizmente ao terminarmos as compras não haviam mais ônibus que nos levasse para o Hotel e tivemos que tomar um taxi. Conhecemos um novo motorista e tivemos uma conversa bastante "agradável", tão agradável que o fez estender a viagem quase como se fosse um tour pela cidade, o que nos fez ter de pagar praticamente o dobro da corrida que deveríamos ter pago caso tivéssemos ido pelo caminho que depois entendemos seria o correto. O que tudo isso tem a ver com raças? O 1o motorista era branco (o único que conhecemos em 5 dias), o 2o era negro (como os outros 99%) e o 3o era branco (outra raridade). As minhas conclusões não foram muito diferentes das que qualquer outra pessoa poderia chegar. =/

Enfim, descobri que mesmo diante de tão grosseira divisão, aqueles menos favorecidos pareciam felizes e eram extremamente simpáticos. Meu coração "soul" bateu forte, e mais do que nunca tive a certeza de que nasci um pouco mais claro do que deveria... =D
Aquele Abraço...


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Primeiras Impressões

A primeira vez de qualquer coisa é algo marcante! Por quê haveria de ser diferente com a primeira viagem Internacional? Na última semana passei 5 dias em Indianapolis/IN com um amigo por conta da maior Convenção de Games dos EUA, a GEN CON Indy, que completava seu 45o aniversário. Fui convidado para participar de um dos eventos e ganhei as despesas aéreas. =D Certamente foi uma das grandes experiências da minha vida, e em decorrência disso decidi escrever algo a respeito das minhas impressões e observações a respeito de uma cultura tão mistificada e/ou mal entendida. Nos próximos dias compartilharei essas impressões, espero que sejam edificantes. ;)

Indianápolis provavelmente é conhecida principalmente pelo seu famoso circuito oval onde se realiza a famosa corrida das "500 milhas de Indianápolis", não fosse por isso a cidade dificilmente seria notada. Com um aeroporto do tamanho talvez semelhante ao de Congonhas/SP, encontramos uma organização impecável e um ambiente extremamente agradável. O "hall" oval onde somos recebidos logo após o desembarque, rodeado de lojas e quiosques muito bem localizados de modo a proporcionar um visual moderno e limpo faz com que você sinta uma gostosa recepção de boas vindas.

Impressionou-me a tranquilidade de uma cidade de interior. Por mais que uma Capital de Estado (Indiana) não se tem a impressão de estar numa cidade de população aproximada em 1.900.000 habitantes de acordo com o senso de 2011, ou seja, uma Curitiba/PR no meio leste dos Estados Unidos, e por falar em Curitiba, para mim que lá fui criado ouvindo que era uma cidade Ecológica, me senti envergonhado. Logo na chegada ao Aeroporto me chamou a atenção a quantidade de verde distribuído pela cidade. Do alto podia-se ver que, à exceção do reduzido centro da cidade, havia pelo menos uma árvore por casa, de modo que mais se percebia a vegetação do que as construções, muito bonito e agradável mesmo.

Logo após a chegada buscamos opções para nos dirigirmos ao Hotel onde ficaríamos pelos próximos dias. Encontramos táxis enfileirados, serviço de Limusine e um serviço de ônibus expresso exclusivo. Aí começou nossa jornada num filme americano...

Tomamos a linha "Green Line" que nos levou até o centro onde nos deparamos com uma "selva de pedra". Concreto por todos os lados, mas de longe algo pesado como grandes centros a exemplo de São Paulo; era um ambiente arquitetônicamente agradável com belos prédios, com visuais tanto modernos quanto tão antigos quanto o início do Século XIX. As ruas eram bem conservadas e calçadas perfeitamente niveladas por todos os lugares que andamos. Quanto ao trânsito, nos impressionamos pelo fato de tanto motoristas quanto pedestres respeitarem a sinalização. Por sinal verificamos algo muito estranho, o sinal de pedestres abria mesmo enquanto o sinal dos veículos estava verde, mas mesmo diante de um potencial caos, motoristas aguardavam o tempo que fosse necessário para que os pedrestres atravessassem a rua, igualzinho a aqui "né não"!? =D

Por fim nos dirigimos ao Hotel de táxi, pegamos o primeiro que avistamos e nos guiou um Marroquino que morava na cidade há 10 anos. Gente finíssima e amante de futebol, fã de Romário e desafeto de Edmundo, foi capaz até de lembrar do pênalti perdido na final do Mundial de Clubes da FIFA que garantiu o título ao Timão em 2000. Tivemos uma conversa muito agradável que infelizmente foi interrompida pelo término da corrida. Recebemos informações valiosas a respeito da cidade e nos despedimos com um sentimento que estávamos quase em casa.

Nosso dia terminou após um breve retorno ao centro para registrar-nos no evento para o qual fomos participar. Para isso tomamos a linha 39 que passava bem próximo de onde estávamos e nos deixou a uma quadra do Centro de Conferências. Mas sobre o transporte falo mais amanhã...
Aquele Abraço...


terça-feira, 15 de maio de 2012

Falando Grego

Uma reflexão para os presentes e futuros operadores do Direito...

Há poucas semanas assistia a uma audiência em uma das varas do Trabalho de Natal e confesso me transtornei com uma cena que por certo deve ser mais comum do que imagino. Uma audiência de instrução em que a reclamante grávida buscava seus direitos rescisórios diante de uma empresa que oficialmente sequer existe haja visto a pratica de atividade caracterizada como contravenção legal, ou em outras palavras, a reclamante trabalhava em um bingo, atividade ilegal e por consequência desprovida de registro comercial, o que a impedia de efetuar o registro da funcionária que agora se via em situação delicada uma vez que não poderia pleitear qualquer benefício previdenciário. Apresentado o cenário histórico, volto-me para a incapacidade notória de, tanto magistrada, quanto advogada da autora em traduzir o acima exposto de modo compreensível a ponto de no meio da audiência a reclamante olhar para juíza E advogada e dizer: "- Eu não estou entendendo o que vocês estão falando..." Esse foi o momento em que tive vontade de enterrar a cabeça no chão! Para meu TOTAL espanto, contudo, nem juíza nem advogada se "tocaram" e deram sequência a discussão, como se a autora fosse mera expectadora. Por pouco não peço a palavra para explicar para a mulher o que estava a acontecer.

Essa situação me fez ponderar no tipo de profissional que eu quero me tornar. É certo que no Direito existe grande liturgia e uma tradição formal que deve ser respeitada, contudo questiono se não estamos esquecendo o próprio propósito do Direito, que, diferente de um mero ritual retórico e vazio, está permeado de emoções e sentimentos tão humanos quanto aqueles que a ele recorrem.

No fundo, a impressão que se tem é de um esforço frenético para provar quem sabe mais ou quem fala mais difícil, ainda que isso custe o proprio relacionamento com o cliente/parte. Há de se mencionar, contudo, que nem toda a culpa pode ser atribuída aos operadores do Direito uma vez que muitas vezes é a própria ignorância da sociedade que prestigia aquilo que sequer pode entender. Há uma complexificação demasiadamente desnecessária que acaba por interferir no próprio propósito do Direito que é pacificar os conflitos. Prendemo-nos a expressões arcaicas ou de muito pouco uso, vocabulário requintado e de dificil acesso ao homem médio e tecnicismos cada dia menos úteis.

Apoiamo-nos em outras ciências na defesa de nosso próprio vocabulário, mas esquecemos que diferente da medicina, onde pouco me interessa o nome da veia que se deve operar para um cateterismo contanto que eu saia vivo da mesa de cirurgia, toda a vida de uma pessoa pode ser afetada por uma palavra mal ou sequer compreendida em um contrato ou audiência.

Diante disso só posso concluir que com demasiada frequência esquecemos que o " Direito foi feito para o homem e não o homem para o Direito".

domingo, 18 de março de 2012

Elas sabem do poder que tem!

Há duas semanas estava de moto numa das principais avenidas de Natal quando me deparo com um Outdoor que apresentava a frase que também é o título desse post com congratulações ao dia Internacional da Mulher, representada por uma modelo revelando o rosto coberto por uma máscara tipo "super herói". Achei interessante a construção da idéia, mas não me contive no questionamento: "Será que elas sabem MESMO!?"

Ao longo da História a mulher foi exaltada, humilhada, respeitada, denegrida, amada, odiada, elevada, vilipendiada e muito mais, o que não a impediu, ainda que diante das maiores atrocidades permanecer serena e poderosa, também como haveria de ser diferente uma vez que é dela mesma que a vida provém? Contudo, o que vemos hoje é um cenário nunca antes imaginado ou esperado, um cenário no qual a própria mulher começa a negar sua essência. Exemplo disso foi o movimento todo que se levantou contra a veiculação da série de comerciais de roupas íntimas estrelado por Gisele Bündchen (que você pode conferir no You Tube) sob o argumento que o referido comercial apresentava a mulher como um mero objeto sexual e blá-blá-blá... Tudo conversa fiada, afinal de contas o que querem todos os que se apressaram em criticar, apresentar a mulher de macacão engraxado?

Há na verdade um movimento controverso para o meio do qual as mulheres parecem, seja por escolha própria ou pressão social, estar sendo arrastadas, um movimento de elevação do padrão "Griselda" (para os que não são noveleiros como eu, basta saber que o personagem de Lilia Cabral na novela Fina Estampa que é uma mãe divorciada que trabalha como mecânica de automóveis e é apelidada de "Pereirão" por seu "jeitão macho" de lidar com quase tudo), onde a mulher boa não é a que é delicada, frágil e "dependente" mas sim forte, dura e independente, o que é algo importante, até certo ponto, para contrapor o machismo exacerbado da nossa sociedade mas acaba por depreciar grandemente a própria essência feminina representada de forma ímpar no próprio comercial já supracitado e que foi criticado de todas as formas possíveis pelos mais diversos setores. Agora nessas horas eu me pergunto: Quem é que, em sã consciência tendo "cão" caça com "gato"?

Foi a mulher dentre todas as criações da natureza quem em maior plenitude reuniu aquilo que de melhor poderia haver e onde todo o poder residiria: amor, compaixão, paciência, sensibilidade, beleza, delicadeza e fragilidade para que fosse com maior cuidado tratada e apreciada, porém mesmo diante de tudo isso o caminho que muitas tem escolhido hoje é justamente o da raiva, da intolerância e da dureza, características todas encontradas em abundância no homem, que na ausência dos supracitados dons femininos recorre à força bruta para alcançar seus objetivos.

O grande detalhe disso tudo acaba sendo o fato de que, mesmo o "Pereirão" acaba por se tornar madame e retorna à sua essência feminina perdida em algum momento no passado, tudo isso numa tentativa clara de transmitir-se a idéia de que a mulher precisa se rebaixar à natureza masculina para alcançar sucesso suficiente para ser quem ela REALMENTE quer ser. É diante de todos esses fatos é que eu sinceramente questiono se as mulheres sabem MESMO o poder que tem, uma vez que tudo o que parecem estar elas tentando fazer na atualidade é livrar-se, seja real ou aparentemente, temporária ou permanentemente dele.
Aquele Abraço!


domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Consumismo como meio de distribuição de renda


Ontem a noite estava apenas perpetuando uma tradição da minha família desde que me conheço por gente: fazer cachorro quente em casa para o jantar, quando me ocorreu um pensamento um tanto quanto intrigante: "- Isso é pura concentração de renda..." Deixe-me explicar: Vou ao mercado e com algo em torno de R$ 10-12,00 compro todos os ingredientes para um BOM cachorro quente que com a adição de pães pode servir de refeição para mim e minha esposa por até 3 noites. Até aí tudo bem, o detalhe é que volta e meia estou com preguiça ou algo assim e vou à esquina e compro 2 "sebosões" por  80-90% do valor que eu gastaria para me alimentar por 3 noites. Isso parece bastante agradável se você for um "quebrado" como eu... X) Mas o grande detalhe aqui é que ao economizar eu não compartilho com a sociedade esse valor. É CLARO que estamos falando de sanduíches e cachorros quentes na perspectiva de pessoas que fazem o melhor para ter uma vida minimamente razoável, contudo se você pensar naqueles que tem condições financeiras de  consumir de forma mais livre você perceberá que este grupo tem um potêncial de distribuição de renda MUIT0 maior. Agora por que isso não acontece? Será que eles também fazem cachorro quente em casa para economizar uns trocados? Quase certo que não. O problema é:"Para que direção aponta o consumismo desse grupo?

- Para o "Seu Neco" do "treiller" da esquina, que trabalha diariamente com a família para sobreviver ou para o McDonalds, uma empresa Multibilionária que em muitos países nem sequer trabalha  para ganhar dinheiro com sanduíche e que emprega milhões de jovens, muitas vezes estudantes ao redor do mundo e que muitas vezes recebem o mínimo possivel?

- Para a "Dona Rosa" que costura desde os 10 anos de idade e que aprendeu com a mãe que aprendeu com a avó e que faz excelentes trabalhos ou para a Chanel, outra empresa multibilionária que já empregou escravos e que esteve envolvida em diversos escândalos no decorrer das décadas?

- Estará essa distribuição tomando a direção das rendeiras do nordeste, que carregam nas costas essa tradição e cultura seriamente ameaçada ou para a seda persa que custa os "olhos da cara" e é fruto da exploração de milhares, senão milhões?

- Que tal questionar se essa distribuição está tomando o rumo dos talendosíssimos artesãos que produzem tão belas peças, seja para decoração/ornamentação de ambientes ou mesmo joías, ou para a Christie's/? que vendem produtos luxuosos e que fazem apenas enriquecer os poucos controladores dessa indústria?


Alguns podem argumentar a favor da qualidade de serviço e produto, porém quando isso não se trata de ilusão trata-se de injustiça com indivíduos ou grupos que não tem acesso ao crédito estratosférico de grandes empresas e que teriam caso houvesse uma maior demanda por aquilo que oferecem, ainda que isso não afete seu esforço em fazer o melhor com aquilo que tem?
Enfim, o que precisa acontecer é uma mudança de paradigma que nos permita distribuir a renda de forma mais igualitária ao incentivar a industriosidade do nosso povo. Um ótimo exemplo disso é o que acontece em países de 1o mundo como os Estados Unidos, onde as pessoas não só promovem como também participam dos famosos "Garage Sales" ou " Liquidações de Garagem", onde você paga o filho do seu vizinho para cortar sua grama ao invés de contratar uma grande Empresa do ramo entre outras coisas.


É claro que os exemplos acima citados são passíveis de distorção em vários casos, porém o conceito é verdadeiro, a idéia é o que importa. Dessa forma, redirecionando o fluxo de riqueza para nossos pares, podemos, ainda que nadando contra a maré fazer alguma diferença no desenvolvimento social e humano do bairro, da cidade, estado e mesmo país em que vivemos... Pense nisso na próxima vez que for abocanhar um Big Mac... ;)
Aquele Abraço...


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tiro no Pé

Hoje a tarde tive o prazer de participar de uma discussão a respeito de um tema que muito me chama a atenção: o Feminismo. Confesso que estou longe de ser um estudioso do assunto, mas tenho minhas opiniões com base em observação contínua ao longo dos anos.

Em primeiro lugar quando pensamos em feminismo pensamos em liberdade. Liberdade, no entanto é um conceito extremamente aberto e relativo e é nesse conceito que o movimento se perde. No Século XIX e início do Século XX a liberdade que se buscava era a de votar, de se expressar, de participar nas decisões familiares... Com o passar dos anos, essa busca passou a ser a da liberdade de "pensar", de trabalhar, de progredir e crescer. Com muito esforço e sacrifícios todas essas liberdades foram de uma forma ou de outra sendo alcançadas, porém a liberdade pode ser traiçoeira, quanto mais se tem mais se quer ter, e a partir desse ponto aquilo que era positivo e edificante passou a ser prejudicial e desestruturador, principalmente quando se trata de relacionamentos. A partir do momento em que a mulher decidiu que tinha liberdade de iniciativa e que não mais precisava esperar pelas investidas masculinas, passou a ser menos cortejada, afinal de contas um homem minimamente inteligente entende que, diante da quantidade esmagadoramente superior de mulheres em relação aos homens, sem qualquer esforço, por mais que não seja a "cereja do bolo", no final da festa ele não terá ficado sem o seu "pedaço".

Na questão profissional a grande confusão foi no momento de conciliar o trabalho com a família. Independente de crenças ou teorias o fato é que a mulher é quem é capaz de dar a luz e por conta das limitações que essa condição pode impor, ao homem foi dada a responsabilidade de prover. A partir do momento que a mulher decide que mais lhe vale ter sucesso do que ter filhos parte do próprio propósito de sua existência passa a ser eclipsado. E com isso toda a sociedade passa a sofrer e agonizar. Não que a mulher não deva trabalhar e estudar, MUITO PELO CONTRÁRIO, mas a ânsia de alcançar o MESMO que os homens acaba por prejudicá-las mais do que beneficiá-las. Afinal de contas você consegue imaginar algum benefício na hipótese de os homens começarem a lutar pelo direito de igualdade com as mulheres no que tange a maternidade?

Veio então a liberdade sexual. Aí foi onde a coisa desandou de vez. Desde sempre a mulher foi protegida e de certa forma privada dos "prazeres da carne", ao passo que aos homens tudo era lícito, ainda que entendendo ser isso errado não podemos mudar uma realidade que levou milênios para se desenhar. Devido a esse processo a mulher desenvolveu uma expectativa e perspectiva muito mais apropriada do relacionamento íntimo entre homem e mulher, ao passo que para o homem esse mesmo relacionamento banalizou-se ao ponto de poder ser "comprado" por miséria. Anos de injustiça despertaram na mulher moderna a ânsia de desfrutar do mesmo que os homens sempre desfrutaram, mal sabiam quão pior isso seria, facilitaram a vida dos aproveitadores e passaram a sofrer duplamente, em outras palavras institucionalizaram o estupro. Sim, pois, por mais que existam algumas poucas mulheres que consigam MESMO manter relações sexuais sem se apegarem, a GRANDE maioria continua esperando noites de "conchinha" e café da manhã na cama. Dessa forma cavaram sua própria cova e sofrem sem saber o que fazer. Alguns podem argumentar que esse é um processo e que com o tempo elas se adaptarão, mas aí eu me pergunto: será que vale a pena mesmo acabar com o romantismo, o cavalheirismo, o cortejo e etc... Se as coisas continuarem assim, os homens, que são em menor quantidade e qualidade em breve passarão a receber flores e bombons para se darem ao luxo de dispensar uma ou outra pretendente. Ou ficarão em casa, sem filhos, assistindo sua série favorita, jogando pelada com os amigos enquanto as esposas insatisfeitas ralam das 7h as 18h da noite. "Negoção" hein!? =/
Aquele Abraço!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Decisões Capitalistas, Mentes Submissas

ACABOU! Ou será que apenas começou... O grande mistério da casa mais vigiada do Brasil terminou em "expulsão" do suposto estuprador... Quase um thriller Hollywoodiano, não fosse pelo fator "capital".

Quando na tarde de Segunda-Feira a Polícia bateu no PROJAC já desenhou-se o resultado da questão. Como sustentar uma situação como essa que já virara caso de polícia? Alguém tinha que pagar por isso, e pense no prejuízo que seria para a produção a debandada da publicidade que rende MILHÕES a cada programa. "Regras" teriam que ser quebradas e todo o sistema colocado em cheque, até mesmo a massa em pouco tempo se viraria contra sua maior alienação. A solução? "Quem inventa aguenta!" Sobrou para o "perpetrador" ser o extintor a apaguar a chama que poderia consumir milhões em poucos dias. A explicação? Ele quebrou regras graves de conduta. Mas quais regras foram essas? Ele de fato consumou o ato ilícito? A moça tentou acobertá-lo? A produção tentou colocar panos quentes? O que será de todos os envolvidos? Muitas perguntas e poucas respostas... E estou certo de que, pelo menos no que tange ao ocorrido, ficará por isso mesmo, afinal de que serviria uma boca aberta fora da casa? Sigilo reinará e nenhuma manifestação será vista do que hoje é tido como estuprador mas que pode ter sido nada mais do que um bode expiatório!


Tudo isso expõe mais uma vez como somos passivos e conformados, dentro em breve toda essa discussão será página virada e o próximo escândalo que, pelo menos dada a rapidez com que as coisas tem acontecido naquela casa, não tardará a surgir, povoará os comentários, tweets e colunas de toda a mídia brasileira... É assim que a gente chega lá...
Aquele Abraço...


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O "Estupro Mental" do BBB

#danielexpulso...
Foi essa a Hashtag que entrou para os TT do Twitter na noite do sábado para o domingo. Porquê? Um suposto estupro dentro da "casa mais vigiada do Brasil". Parece que esse é apenas o primeiro de muitos escândalos que se apresentarão nos próximos meses. Vale a pena lembrar que a "atração" começou há apenas UMA semana. =/

Toda a "fuzarca" que se deu depois do ocorrido em todos os portais da Internet só me fez refletir no tamanho da hipocrisia envolvida em toda essa situação. Todas as semanas, ou finais de semana, esse mesmo cenário se repete: Festa e Álcool seguidos de Sexo. Quem é que reclama disso? Ainda que eu não seja adepto da "espiadinha" estou certo de que a moça não estava mais alcoolizada do que muitas outras naquela mesma hora e que eram levadas para a cama por "aproveitadores". Quem é que reclama disso? Isso sem falar no fato de que quando algo nesse sentido acontece, as mesmas mulheres que querem ser tratadas como os homens, que querem agir e sentir o mesmo que eles sentem são prontamente retomadas a posição de sexo frágil, sensível e por aí vai... E o que dizer da ausência TOTAL de conteúdo de um programa que repete a mesma fórmula há 12 anos e que não contribui em NADA para a educação e/ou desenvolvimento de seus espectadores? Quer maior estupro do que esse? Quantas mentes alienadas e realmente incapazes são molestadas diariamente com as armações e jogatinas de uma realidade que nada mais é senão forjada? E quem é que reclama disso?

Por fim não tenho intenção nenhuma de fazer defesa ao rapaz ou qualquer outro em posição semelhante, só penso que além de criticarmos tão veementemente atitudes como a supracitada, deveríamos também criticar os muitos outros hábitos e comportamentos tão comuns e por vezes até incentivados dentro da mídia do nosso país.
#CulturaJÁ!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Último Romântico...

"Faltava abandonar a velha escola Tomar o mundo feito coca-cola Fazer da minha vida sempre O meu passeio público E ao mesmo tempo fazer dela O meu caminho só Único.

Talvez eu seja O último romântico Dos litorais Desse Oceano Atlântico...

Só falta reunir A zona norte à zona sul Iluminar a vida Já que a morte cai do azul...

Só falta te querer Te ganhar e te perder Falta eu acordar Ser gente grande Prá poder chorar...

Me dá um beijo e então, aperta a minha mão, Tolice é viver a vida Assim, sem aventura...

Deixa ser Pelo coração Se é loucura então Melhor não ter razão..."
(Lulu Santos)

Bem, se você estava esperando um texto romântico, daqueles de suspirar, o melhor que você vai conseguir é o acima transcrito, o que, venhamos e convenhamos, é uma ótima pedida. ;)

Na verdade essa canção tem me acompanhado nas últimas semanas e não consigo tirá-la do meu repertório mental, o que seria normal se estivesse vivendo uma época apaixonada ou algo semelhante. A questão é que esse não é o caso. Tenho vivido um momento de muitas incertezas e questionamentos, uma época de dúvidas e decisões. Isso tudo me fez refletir na beleza das palavras desse poema, afinal de contas, quem disse que o romantismo está sempre e necessariamente relacionado ao amor? Isso me levou a uma releitura pessoal dessa música que há muito me encanta.

Na verdade vivemos num mundo extremamente cético e egoísta, um mundo em que cada um é por si e nem mesmo Deus por todos, um mundo de competição e individualismo, da sobrevivência dos mais aptos... "A velha escola..." Mas nesse cenário de semelhanças que geram distorções, por mais dificil que pareça, cada um é capaz de traçar o seu "caminho só, ÚNICO..." Não precisamos reproduzir o que a sociedade nos apresenta, seja lá o que for, somos agentes e recebemos o privilégio de escolher nossos caminhos, ainda que sob sistemas pouco ideais.

"Só falta te querer..." Afinal de contas que está disposto a dedicar-se a transformação, a mudar o mundo, ainda que isso signifique mudar a si mesmo. Diariamente reclamamos da política, da Economia, da educação e saúde, mas quanto temos feito para contribuir de forma significativa para a melhoria do nosso meio? Será mesmo que uma Televisão, celular ou computador novos são capazes de nos trazer felicidade e paz social?

Talvez "falta eu acordar..." para uma realidade que eu nunca quis que fosse minha. Enquanto vejo tantos, mesmo ao meu redor, buscando os caminhos mais fáceis e menos trabalhosos - o que não seria um problema se isso não fosse possível as custas de milhões que pagam com suor e sangue pela boa vida de poucos - me indigno com sua inércia e conformismo, regados de criticismo e hipocrisia.

Nessas horas eu penso mesmo que "tolice é viver a vida assim..." pois para que mais estaríamos aqui senão para crescer e desenvolver habilidades e características que são resultados, única e exclusivamente de trabalho duro mas com uma boa dose de ousadia, afinal, o que seria de nossa sociedade hoje se poucos no decorrer da história não ousassem confrontar o sistema de sua época em prol do desenvolvimento social? Continuaríamos segregando e limitando as liberdades uns dos outros, vivendo uma verdadeira selva humana.

Chegou, contudo a NOSSA vez de ousar, fazer diferente, de transformar um pouco de idealismo em realização e dar as gerações futuras a alegria de viverem num mundo melhor.

"Talvez eu seja o último romântico, dos litorais desse oceano atlântico..." mas acredito sinceramente que esse é o nosso momento como povo e nação de buscar o crescimento, o desenvolvimento e igualdade duradouros, para que sejamos lembrados pela história não como aqueles que pintaram as caras, mas que ousaram pintar o futuro...
Aquele Abraço...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Socialismo ou Bom Senso?

"Todo jovem tem direito a sua época socialista..." Em outras palavras essa, sem dúvida, foi uma das frases mais repugnantes que ouvi e sou capaz de me recordar, confesso que fico até feliz em não me lembrar quem o disse exceto pelo sentimento de que foi uma pessoa culta e proeminente.

É mesmo compreensível alguém que vive confortávelmente em sua casa própria com carro do ano na garagem e livre de qualquer necessidade pensar dessa forma. Quando jovem vê-se o sistema como um monstro, mas o tempo vai passando e acontece como ao sapo que colocado em uma panela de água fria morre cozido por se acostumar com a elevação gradativa da temperatura decorrente da exposição da panela ao fogo, ou seja, aquilo que era inaceitável passa a ser razoável e de razoável acaba por se tornar agradável. Mas será mesmo que deve ser assim? Temos que perder o espírito de mudança e desejo de contribuir para uma causa maior por conta do nosso egoísmo incontrolável?

Nesse cenário, sem dúvida, um dos maiores vilões é o conformismo. "Todo mundo pensa assim, todo mundo faz assim, quem sou eu para mudar as coisas?" Interessante é que por mais que as vezes pareça ser necessário mudar o mundo, muito menos se exige. Pense no caso de muitos cargos públicos no Brasil, um dos exemplos mais gritantes para mim é o dos "office boys" de luxo dos tribunais, vulgo "Oficiais de Justiça" que recebem hoje um salário de aproximadamente R$ 10.000,00 para fazer trabalho de carteiro. Não que o trabalho não seja importante, mas porque não pagam ao seu Zé, carteiro do bairro metade disso? Sem contar aqueles que se aproveitam do sistema deficiente e conseguem, de forma LEGAL, trabalhar 2-3 dias por semana. "Vida boa, vida boa, sapo caiu na lagoa..."

Mais uma vez a questão nunca seria o salário desproporcional se houvesse produtividade. Já pensou se no Brasil ganhássemos por hora como em países como EUA, Canadá e Inglaterra? Temos um grande déficit de produtividade em nosso país e muito disso é graças ao inchaço da máquina estatal que não é capaz de controlar os seus e acaba por desperdiçar muito mais do que o dinheiro do contribuinte, mas a força de toda uma nação.

Enfim, não se exige que instauremos uma revolução socialista, mas apenas que cada um tome consciência que, por mais que não pareça, somos peças de uma grande engrenagem, e que se pararmos prejudicamos o funcionamento de todo o sistema, um sistema extremamente complexo e uma engrenagem difícil de dominar, o a engrenagem e o sistema social.
Aquele Abraço...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Memórias

Hoje estava na Livraria desopilando um pouco enquanto lia e sentados, não muito distantes de mim, estavam dois senhores conversando de forma bastante animada, pareciam amigos de longa data que há muito não se viam, presumo que fossem pois pelas quase 2 horas que passei ali sentado tudo o que pareciam fazer era conversar sobre memórias... Riram, gargalharam, cantaram e muito mais, pareciam muito satisfeitos e felizes. Essa cena me fez ponderar a respeito do tipo de memórias que a nossa sociedade está nos incentivando a criar. Tudo está se resumindo, individualizando e isolando. Nossos relacionamentos não passam mais de comentários e tudo o que compartilhamos são fotos ou aquilo que gostariamos que as pessoas acreditassem que estamos pensando. Reproduzimos muito, produzimos pouco. Encurtamos distâncias, ampliamos barreiras. Queremos viver o mundo quando tudo o que fazemos é evitá-lo. Diante de tudo isso resta a dúvida se seremas capazes de, em alguns anos sentar por horas frente a frente com um amigo, rir, gargalhar e cantar como se não nos víssemos há anos, ainda que esse seja nosso programa semanal...