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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Alimentação

Viajei numa Terça-Feira sabendo que, até a Segunda-Feira seguinte, quando retornaria, não haveria de ver um prato de Arroz e Feijão na minha frente... Bem, foi EXATAMENTE isso que aconteceu.

Logo que chegamos em Indianápolis, por volta de 12h nos dirigimos para o Hotel passando pelo centro da cidade. Fizemos um leve reconhecimento da área e logo verificamos que nossas previsões estavam corretas. Por mais que as opções de alimentação fossem muitas, basicamente se resumiam a 75% de Fast Food! Os poucos restaurantes visíveis "a olho nu" da rua que serviam outros tipos de pratos quentes simplesmente passavam despercebidos diante do volume de pessoas se enfileirando para entrar em um dos restaurantes que servisse um bom Hamburguer com Coca-Cola disponíveis. Resistimos a tentação e nos dirigimos ao Hotel para deixar as malas. Logo no retorno para o centro para registrar-nos no evento que participaríamos, não nos contivemos e demos uma passadinha no Dunkin' Donuts logo na esquina próxima ao ponto de ônibus. Nos bastou 1 "Donut" para ficarmos loucos e querermos mais. Resistimos mais uma vez e fomos para o centro. Lá chegando encontramos o refúgio do faminto: "Steaks 'n Shakes", um restaurante com ares de anos 50, colorido e com garçonetes vestidas como nos filmes. O sentimento de que éramos figurantes desavisados de algum filme americano fez apenas intensificar. Logo decidimos o que queríamos comer e comemos, mas comemos MESMO! Lembro do sentimento de que não precisaria comer novamente por um bom tempo. Foi uma BAITA sanduíche, batata frita e refrigerante. Tudo por meros US$ 6,00. =O Uma refeição meramente semelhante em nossa breve passada em São Paulo me custara R$ 25,00 e um sentimento de desconforto quase inconsolável no bolso. =P

Os dias que se seguiram foram meras repetições. Sempre que pudemos fomos ao Stakes 'n Shakes, e no dia que não fomos descobrimos um Burger King meio que no meio do nada, onde fizemos uma refeição as 13h absolutamente SOZINHOS no restaurante ao som de uma música que passamos o resto da viagem, sem sucesso, tentando lembrar qual era mas que até agora reverbera um sentimento gostoso de... Sei lá! =D Descobrimos a máquina dos desejos... Por meio de uma tela "touch-screen" você escolhia um dentre os quase incontáveis (tudo bem, eram 6 mas para quem só conhece UM... =D) sabores de Coca Cola disponíveis. Nos esbaldamos e divertimos num lugar que mais parecia fruto da nossa própria imaginação... Sentíamo-nos como "lambaris de sanga", "gordo de camisa nova", "pintos no lixo"...

Agora nem tudo são flores... Não precisou muito tempo para começarmos a perceber o resultado de tanto descuido com a alimentação. Para todos os lados que olhávamos víamos homens e mulheres que mais pareciam "ogros", um inclusive que estava do meu lado quase que o tempo inteiro, a quem os amigos carinhosamente chamam de "Gordo"... =D Mas até mesmo ele, em alguns momentos pareceu pequeno diante daquilo que víamos. Mais preocupante ainda é a consciência de que os principais perigos desse comportamento são sequer visíveis a olho nu, mas podem ser tão fatais quanto qualquer veneno administrado em dose letal.

Felizmente, no nosso retorno vimos na cidade algum tipo de evento esportivo, se corrida ou caminhada não estou certo, que colocou nas ruas gente de todas as idades e "tamanhos". Um consolo válido para esse povo e um lembrete ainda mais importante para mim de que eu estava retornando a realidade onde comer bem e direito era a regra e não a exceção... Esse sim meu lar... DOCE lar...
Aquele Abraço...


PS: Na foto, o "Gordo" saboreando um legitimo "Breakfast"... O suco de Laranja foi resultado de um breve devaneio... =D

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Desperdício

Não é novidade para ninguém o fato de o Americano ser um povo que desperdiça muito os recursos naturais, mas nada como ver com os próprios olhos. Em tudo há um exagero muito grande no consumo, o que acaba por levar ao desperdício. A água, por exemplo, é utilizada de forma indiscriminada nas mais diversas formas, desde a higiene até à alimentação. Num drive-thru perto do Hotel onde estava havia uma orientação clara e exposta para todos os atendentes no que diz respeito ao preenchimento dos copos de refrigerante: 2/3 do copo deveria ser preenchido com GELO! DOIS TERÇOS!? É óbvio que todos gostamos de uma bebida gelada para refrescar, o problema é que geralmente ao final da bebida, num caso desses, ficamos com quase meio copo ainda de gelo! Qual será o destino mais provável desse dele, que nada mais é do que água POTÁVEL!? Imagino que para cada copo de 800ml de bebida gelada, perdem-se 200ml de água própria para o consumo. Até quando o planeta poderá sustentar isso?

Outro ponto de desperdício sério é a questão dos combustíveis. Não se vê nas ruas carros pequenos/econômicos, são praticamente todos enquadráveis em 1 de 3 categorias: "Possantes", "Banheiras" (carros antigos, ainda que bem conservados) ou "Gigantes" (caminhonetes, furgões, mini vans e afins), todos com uma característica em comum, um alto consumo de combustível devido à maior potência do motor. Para mim isso foi chocante, por mais que já tivesse houvido falar da história que não há carros 1.0 na terra do Tio Sam, pensar no quanto é disperdiçado com esse comportamente foi estarrecedor. Vale ressaltar, no entanto, que isso é bastante paradoxal, uma vez que o limite de velocidade em TODO lugar não ultrapassa os 80 km/h e isso é tão respeitado que até mesmo os motociclistas se dão ao luxo de pilotar sem capacete, uma vez que todos andam numa velocidade bastante reduzida em qualquer lugar por onde passamos. Acaba que você tem um carro com grande potência e consequentemente grande consumo sem QUALQUER necessidade.

Já que eu me referi às banheiras acima, aproveito para confessar um pecado! =D No hotel do quarto onde estava havia uma banheira... Depois de um dia em que andamos que só e estava MORTO de cansaço não resisti e enchi a banheira para tomar um banho. Ela não era muito grande, mas ainda assim levou mais de 20 minutos para encher uns 60-70% de sua capacidade. O banho foi bom, não posso negar, mas ao pensar a respeito questiono se tal conforto compensa MESMO o desperdício de água associado a ele. Alguns podem até alegar que um banho de chuveiro usa tanta água quanto... Bem, se você toma banho de 20 minutos... A questão toda é que não parece haver uma preocupação com o consumo consciente dos recursos naturais. Vale ressaltar que não estou afirmando que todo americano toma banho de banheira TODOS os dias, e nem que eles são os únicos culpados da extinção dos recursos naturais, apenas que com uma estrutura tão mais facilitada, o desperdício tende a ser "overlooked".

Por fim, fica a lição de que por mais que as vezes pareça que não, os recursos naturais são finitos e nem todo o dinheiro do mundo será capaz de recuperá-los uma vez extintos; não importa quão ricos e poderosos sejamos, a menos que sejamos conscientes HOJE, não haveremos de ter um AMANHÃ.
Aquele Abraço!

sábado, 25 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Preço/Troco

Algo que sempre tive a curiosidade de ver com meus próprios olhos e achei FANTÁSTICO foi o compromisso com aquilo que é anunciado. Em todos os lugares, em especial Supermercados encontramos produtos a R$ 1,89 / R$ 2,59 / R$ 10,88 e por aí vai, isso sem contar o "non sense" dos postos de combustível que chegam a cobrar em décimos de reais. Nos Estados Unidos, e não apenas em Indianápolis, o preço anunciado é o preço a que se vende, nem um centavo a mais, nem um centavo a menos. Logo, ao final do primeiro dia estávamos repletos de "pennies" (moedas de U$ 0,01) no bolso. Agora se o troco é recebido integralmente, o preço também deve ser pago de igual maneira. Eu com a mania feia de arredondar tudo quanto possível para baixo passei vergonha logo no primeiro dia. Tomamos um taxi do centro para o Hotel, e nos guiou um Marroquino GENTE FINÍSSIMA, que parecia entender mais de futebol brasileiro do que muitos por aqui. Ao chegar no hotel a corrida tinha fechado em US$ 24,50. Prontamente saquei US$ 24,00 que tinha trocado no bolso e perguntei se eles pagariam a corrida. Todo sem jeito e humilde ele vira para mim e diz: "Ok, agora só para você saber, aqui trabalhamos com gorjetas..." Foi um balde de água fria! Sua humildade e preocupação genuína em compartilhar uma informação culturalmente importante me acertaram tão forte que eu saquei US$ 5,00 a mais da carteira e dei para ele com o pedido de desculpas e agradecimento. Isso me fez refletir a importância de valorizarmos aqueles que nos servem, fiquei pensando que se fosse eu no lugar ficaria feliz em receber uma "tip" generosa. Quis poder voltar no tempo e expressar minha gratidão pelo serviço e recepção agradável daquele pai de família de maneira mais generosa.

Mas diz-se que aqueles que não aprendem com os erros dos outros é um tolo, mas aquele que não aprende com seus próprios erros é um IMBECIL! Acho que não fui meramente tolo. =D Em nossa última refeição no DELICIOSO "refúgio do faminto" Stakes'n Shakes ao pagar a conta de US$ 14,52 com US 14,50 contados, me deparo com uma cara de: "HELLOOOOO!" e um lembrete de que a conta havia fechado em US$ 14,52 da atendente que não devia estar acostumada com esse comportamento. Imagino eu a reação dela ao receber "balinhas" como troco numa compra qualquer aqui no Brasil. =D

Talvez isso pareça uma grande besteira, mas nunca achei que fosse. Pense no quanto os estabelecimentos comerciais faturam ao "furtar" 1... 2... 3 ou mais centavos em CADA compra que é realizada. Agora tente pagar com menos para ver o que acontece...! =/ Tanto fez diferença que no último dia juntávamos moedas para pagar passagem e almoço graças ao maldito bloqueio da "tarjeta magica" Mastercard de meu amigo e a impossibilidade de "carregar" meu Global Travel por problemas técnicos. Felizmente tínhamos pennies, dimes e quarters o suficiente para pagar quase uma refeição inteira, tudo reunido em 4 dias apenas. Mais uma vez uma lição que vai ficar, ainda que não acredite que serei capaz de reunir muitos centavos no bolso por essas bandas... =D
Aquele Abraço!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Diferenças Raciais, Diferenças Culturais

Todo mundo sabe da miscigenação de raças no Brasil. Desde crianças ouvimos a respeito da história de praticamente todos os que contribuiram para a composição da nação brasileira, e não foram poucos, mas na verdade não sei se entendemos bem o que isso significa e o quanto isso é importante. Indianápolis, de acordo com o senso americano é uma cidade predominantemente branca, contudo não foi isso que nos pareceu, não pelo menos no transporte público. Estou certo de que a minha presença e de meu amigo com cara de russo (=D) aumentou significativamente as estatísticas de brancos utilizando o transporte público. Foi para mim ao mesmo tempo algo assustador e triste. Nas ruas carros de todos os tipos e marcas, todos grandes, potentes e velozes. Dentro deles, a predominância racial se inverte e o que se vê são brancos confortávelmente guiando seus possantes, enquanto negros esperam que o ônibus cumpra seu horário para não se atrasarem para o trabalho. Diante disso confesso que, por mais que ainda tenhamos muito o que melhorar, e TEMOS, somos um povo abençoado que de certa forma compartilha os desafios e sucessos da vida sejamos brancos, pretos, amarelos, marrons ou cor-de-rosa.

Isso me fez pensar a respeito da importância de valorizarmos nossas origens, de respeitarmos o outro e continuarmos a lutar pela igualdade plena, como nossa Constituição visa garantir ao afirmar sermos TODOS iguais.

No que tange a atividade profissional, pouco mudou, por sinal tivemos 3 experiências bastante relevantes. No 2o dia queríamos ir ao Wal Mart para comprar "Doughnuts", "Peanut Butter" e outras raras iguarias as quais temos pouco ou quase nenhum acesso em terras tupiniquins. Para nosso assombro, no entanto, não havia UM Wal Mart sequer no centro da cidade, e o mais próximo nos custou de ônibus algo em torno de 2 horas com a espera na transferência entre linhas. Mas ao buscarmos informações sobre quais linhas poderiam nos levar, descobrimos que a 19 e 17 nos levaria até onde poderíamos pegar o 26 e então chegar ao "paraíso das baganas". Acontece que ao nos depararmos com o ônibus da linha 17 questionamos o motorista por confirmação e ele negou, com cara de "pouco amigos", dando-nos orientações diferentes. Descemos, mas preferimos esperar o 19, que de fato nos levou até onde precisavamos chegar. Durante a "viagem" conversamos com o motorista que foi SUPER GENTE FINA, contou-nos histórias sobre a cidade, compartilhou suas preferências por quadrinhos quando comentamos que estávamos participando de uma Convenção de Games e nos deu todas as instruções para chegarmos ao nosso destino. Até mesmo meu amigo que quase não fala Inglês se animou e "trocou uma idéia" com o tal motorista. Ao chegarmos no ponto para pegar o 26, 5 minutos depois aparece um 17, exatamente aquele que nos foi dito não passar na região pelo 1o motorista. =/ Depois de um bom tempo chegamos ao Wal Mart (ressalte-se que eram 21:00h e ainda o sol brilhava...=D vide foto acima). Infelizmente ao terminarmos as compras não haviam mais ônibus que nos levasse para o Hotel e tivemos que tomar um taxi. Conhecemos um novo motorista e tivemos uma conversa bastante "agradável", tão agradável que o fez estender a viagem quase como se fosse um tour pela cidade, o que nos fez ter de pagar praticamente o dobro da corrida que deveríamos ter pago caso tivéssemos ido pelo caminho que depois entendemos seria o correto. O que tudo isso tem a ver com raças? O 1o motorista era branco (o único que conhecemos em 5 dias), o 2o era negro (como os outros 99%) e o 3o era branco (outra raridade). As minhas conclusões não foram muito diferentes das que qualquer outra pessoa poderia chegar. =/

Enfim, descobri que mesmo diante de tão grosseira divisão, aqueles menos favorecidos pareciam felizes e eram extremamente simpáticos. Meu coração "soul" bateu forte, e mais do que nunca tive a certeza de que nasci um pouco mais claro do que deveria... =D
Aquele Abraço...


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Primeiras Impressões

A primeira vez de qualquer coisa é algo marcante! Por quê haveria de ser diferente com a primeira viagem Internacional? Na última semana passei 5 dias em Indianapolis/IN com um amigo por conta da maior Convenção de Games dos EUA, a GEN CON Indy, que completava seu 45o aniversário. Fui convidado para participar de um dos eventos e ganhei as despesas aéreas. =D Certamente foi uma das grandes experiências da minha vida, e em decorrência disso decidi escrever algo a respeito das minhas impressões e observações a respeito de uma cultura tão mistificada e/ou mal entendida. Nos próximos dias compartilharei essas impressões, espero que sejam edificantes. ;)

Indianápolis provavelmente é conhecida principalmente pelo seu famoso circuito oval onde se realiza a famosa corrida das "500 milhas de Indianápolis", não fosse por isso a cidade dificilmente seria notada. Com um aeroporto do tamanho talvez semelhante ao de Congonhas/SP, encontramos uma organização impecável e um ambiente extremamente agradável. O "hall" oval onde somos recebidos logo após o desembarque, rodeado de lojas e quiosques muito bem localizados de modo a proporcionar um visual moderno e limpo faz com que você sinta uma gostosa recepção de boas vindas.

Impressionou-me a tranquilidade de uma cidade de interior. Por mais que uma Capital de Estado (Indiana) não se tem a impressão de estar numa cidade de população aproximada em 1.900.000 habitantes de acordo com o senso de 2011, ou seja, uma Curitiba/PR no meio leste dos Estados Unidos, e por falar em Curitiba, para mim que lá fui criado ouvindo que era uma cidade Ecológica, me senti envergonhado. Logo na chegada ao Aeroporto me chamou a atenção a quantidade de verde distribuído pela cidade. Do alto podia-se ver que, à exceção do reduzido centro da cidade, havia pelo menos uma árvore por casa, de modo que mais se percebia a vegetação do que as construções, muito bonito e agradável mesmo.

Logo após a chegada buscamos opções para nos dirigirmos ao Hotel onde ficaríamos pelos próximos dias. Encontramos táxis enfileirados, serviço de Limusine e um serviço de ônibus expresso exclusivo. Aí começou nossa jornada num filme americano...

Tomamos a linha "Green Line" que nos levou até o centro onde nos deparamos com uma "selva de pedra". Concreto por todos os lados, mas de longe algo pesado como grandes centros a exemplo de São Paulo; era um ambiente arquitetônicamente agradável com belos prédios, com visuais tanto modernos quanto tão antigos quanto o início do Século XIX. As ruas eram bem conservadas e calçadas perfeitamente niveladas por todos os lugares que andamos. Quanto ao trânsito, nos impressionamos pelo fato de tanto motoristas quanto pedestres respeitarem a sinalização. Por sinal verificamos algo muito estranho, o sinal de pedestres abria mesmo enquanto o sinal dos veículos estava verde, mas mesmo diante de um potencial caos, motoristas aguardavam o tempo que fosse necessário para que os pedrestres atravessassem a rua, igualzinho a aqui "né não"!? =D

Por fim nos dirigimos ao Hotel de táxi, pegamos o primeiro que avistamos e nos guiou um Marroquino que morava na cidade há 10 anos. Gente finíssima e amante de futebol, fã de Romário e desafeto de Edmundo, foi capaz até de lembrar do pênalti perdido na final do Mundial de Clubes da FIFA que garantiu o título ao Timão em 2000. Tivemos uma conversa muito agradável que infelizmente foi interrompida pelo término da corrida. Recebemos informações valiosas a respeito da cidade e nos despedimos com um sentimento que estávamos quase em casa.

Nosso dia terminou após um breve retorno ao centro para registrar-nos no evento para o qual fomos participar. Para isso tomamos a linha 39 que passava bem próximo de onde estávamos e nos deixou a uma quadra do Centro de Conferências. Mas sobre o transporte falo mais amanhã...
Aquele Abraço...