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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Andar & Falar é só Começar...

Foi no caminho para Atenas que uma das mais belas obras sobre o Amor foi relatada. Foi no caminho para Emaús que uma das experiências espirituais mais significativas de todos os tempos aconteceu. Foi no caminho para Damasco que um dos maiores perseguidores do cristianismo tornou-se um de seus maiores advogados em todos os tempos...

Foi no passado, um passado distante que todos esses eventos aconteceram, por que hoje, "Aristodenos" teria pedido o relato do "Banquete" à "..." por e-mail, os dois homens que caminharam ao lado de Jesus e com ele conversaram teriam no máxima dado a ele uma carona de poucas palavras. Paulo então, teria feito uma vídeo conferência e dado as instruções para perseguição sem nunca ter deixado o conforto se seu escritório. Diferente daqueles que simplesmente repudiam a tecnologia e todos os benefícios que ela pode trazer, apenas acredito que a temos utilizado mais para afastar do que aproximar. Vivemos uma época em que tudo se fala para ninguém em específico mas que todos ficam sabendo... uma época em que temos mais amigos virtuais do que reais, em que transformamos a vida em uma grande rede de contatos na esperança de sentir-nos parte de algo maior, quando na verdade tudo o que fazemos é reduzir-nos a 140 caracteres. Nossas conversas já não tem mais sumo, já de muito perderam aquilo que de mais interessante possuiam, o contato, ainda que fosse meramente visual. Nesse cenário vemos com cada vez maior frequência jovens que não sabem mais conversar, que tudo fazem a distância e que não tem idéia do que significa aquele friozinho na barriga que sentimos aos desbravarmos novos grupos, novos mundos... O passado ficou velho e o presente é o que há... O que antes funcionava hoje não faz mais do que despertar nostalgia dos que viveram e que se renderam sem esperança de manterem acesa a chama daquilo que um dia à suas vidas deu sentido...

Ainda nos admiramos daqueles que tentam manter à moda antiga os relacionamentos que são os tijolos de uma vida feliz e bem sucedida. Nos admiramos, mas muito pouco fazemos para seguir o seu exemplo, o preço que pagamos? Tudo o que temos e somos...

Que andemos, que falemos, que vivamos, que nos aproximemos. Essa é a vida e o tempo que nos foi dado, somos abençoados e privilegiados como nenhuma geração no passado jamais foi. Temo porém que, mesmo com tantos benefícios e artifícios chegaremos ao fim de tudo tendo realizado muito pouco daquilo que realmente importa, com o sentimento que desperdiçamos, que inutilizamos aquilo que foi e nunca mais será, o tempo de hoje, o tempo que há.

domingo, 29 de maio de 2011

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Educação"

Esse é o quinto de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Sem dúvida essa me parece ser uma época bastante apropriada para escrever sobre Educação. Vimos, recentemente, uma das manifestações mais pungentes da última década sobre esse assunto. Quando o vídeo da Professora Amanda Gurgel foi compartilhado por intelectuais e celebridades, logo a Educação voltou a ser o tema das rodas de amigos, seja em casa, na universidade e até mesmo no bar. E talvez seja justamente esse o erro: voltou a ser tema de discussão dessas rodas.

Quando se fala em filhos, uma das mais sérias preocupações de pais, avós e mesmo da sociedade é justamente a questão da Educação, e não poderia ser diferente, afinal, é a Educação que determina, em grande parte, nosso nível de sucesso profissional, social, familiar e muitas vezes mesmo pessoal. Estou convencido, no entanto que, a maneira como essa preocupação se manifesta é o cerne do problema educacional do Brasil.

Há algumas décadas o estudo era mesmo um privilégio de poucos. A falta de estrutura, tecnologia entre outros motivos dificultavam em demasia o acesso à educação básica; ainda assim muito pais faziam um enorme esforço para que os filhos tivessem acesso à algo que sua geração sequer havia imaginado existir. Hoje certamente não é muito diferente. Fazemos grandes esforços para que nossos filhos tenham acesso aquilo que de melhor podem ter nessa época, a Educação. O grande detalhe, é a maneira como nos esforçamos hoje, em contraposição à maneira como nossos pais se esforçaram no passado.

Em nossa época é muito mais fácil fazer hora extra para pagar uma boa escola particular do que acordar de madrugada para buscar uma vaga em uma boa escola pública. É muito mais fácil trabalhar no final de semana para pagar um reforço do que dedicar um tempo para fazer os exercícios de matemática com nosso filho. Muito mais fácil levar trabalho para casa à noite do que levar o filho para a escola pela manhã. É mais fácil participar de uma reunião de negócios do que participar da Reunião de Pais e Mestres (se é que isso ainda existe... :S)... Ou seja, mais fácil é "comprar" do que "prover" educação. Dessa forma não há como negar que o custo para se educar uma criança se exorbita a ponto de desanimar até mesmo os mais otimistas.

Nesse cenário muitos pode argüir que no passado era diferente e a escola pública era de melhor qualidade, e pode ser mesmo que fosse, mas por que deixou de ser hoje... Sim... Culpa dos políticos!? Ou talvez do capitalismo...? Que tal dos professores não comprometidos...? Certamente culpa de qualquer um menos minha e sua não é!?

Essa semana recebi alguns convites para participar de uma manifestação pela Educação... Certo é que participarei, mas manifestação alguma funcionará a menos que abandonemos nossa inércia, hipocrisia e preguiça e lutemos por aquilo que nos é constitucionalmente garantido... EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE! E que, na pior de todas as hipóteses, sejamos nós mesmos essa educação de qualidade, em nossos lares e comunidades, deixando para trás a segurança efêmera de que, para ser satisfatória EDUCAÇÃO tem que ser PRIVADA!

domingo, 8 de maio de 2011

Inércia Mental

A imagem ao lado ilustra de forma clara a situação que vivemos hoje. Essa semana assistimos à uma decisão que, certamente mudará os rumos da sociedade. O STF, por unanimidade, decidiu por equiparar a união homoafetiva à união estável entre homem e mulher, concedendo aos casais homoafetivos 111 novos direitos, mantendo-os privados, na esfera familiar, de apenas um direito, o do casamento civil.

Como muitos defendem, e de certa forma, ainda que contrário à algumas, eu aceito que a sociedade esteja em constante transformação. O que me preocupa, contudo, é assistir à tantas pessoas tentando de todas as formas atravessar o labirinto da vida de olhos vendados.

Justamente quanto à essa questão da união homoafetiva, na escola onde trabalho, questionei diversos instrutores. Não poderia ter-me surpreendido mais. Ouvi desde: "Sou contra e PONTO, não me interesso pelo que as pessoas pensam!" até: "Para mim não faz diferença", passando é claro pelos: "Sou a favor". Confesso que, independente da minha posição ideológica, não é o fato de alguns terem se manifestado a favor ou contra que me assustou, mas sim o fato de a maioria ter-se demonstrado alheia à questão, e àqueles que se posicionaram, fosse de um lado ou de outro, não terem qualquer fundamentação para seu posicionamento. É essa atitude um dos maiores obstáculos para o crescimento e desenvolvimento do nosso país.

Vivemos uma época complexa, é certo, onde temos inúmeras preocupações e responsabilidades, porém independente de qualquer coisa, não podemos nos isentar de cuidar daquilo que deve permear nossa existência, nossas crenças e ideologias, que são as próprias lentes através das quais vemos o que nos rodeia. É dessa crise que padecemos nos dias atuais.

Já há mais de 2 décadas cantava Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver..." Hoje no entanto, nos furtamos desse privilégio e das experiências que com ele poderíamos desenvolver. Nos tornamos uma sociedade extremamente volátil. Nossa maior preocupação é favorecer-nos em detrimento de qualquer outra coisa, oxalá, pelo menos fosse essa preocupação não meramente financeira mas também social.

Platão, não sem razão, defendia em sua "República" que o Estado deveria ser governado pelos Filósofos, por serem eles, em essência, os únicos capazes de dedicarem-se de forma exclusiva ao pensamento introspectivo e especulativo, sendo esse esforço o único capaz de promover políticas justas e corretas. Talvez não tenhamos a intenção de governar um Estado, seja federal ou federado, uma cidade, ou sequer uma família. Mas não podemos nos furtar à responsabilidade, de, na pior das hipóteses, governar nossa própria vida!

Se não nos despertarmos, vejo o dia em que essa praga se alastrará de tal forma que não viveremos mais em sociedade, mas sim em isolamento, apenas retwittando, comentando e/ou meramente "curtindo" o que acontece com pessoas que já não mais conhecemos e sobre tópicos que sequer compreendemos.

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Saúde"


Esse é o quarto, de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Depois das experiências das últimas duas semanas acredito ter alguma condição para falar um pouco sobre esse assunto, que hoje é tão discutido.

Nos últimos 10 dias tive DOIS filhos. O primeiro nasceu de parto cesariana e o segundo nasceu de parto natural. O primeiro nasceu em um Hospital Particular e o segundo foi tratado em um Hospital Público. O primeiro foi meu primogênito - Ramoñ Jr. - e o segundo foi meu cálculo renal. :D

Não há o que se discutir com relação à qualidade da saúde pública no Brasil. É um caos, é uma bagunça, é uma irresponsabilidade, é um descaso e muito mais. Concordo com tudo isso, porém estou convencido que todos esses adjetivos supracitados não se referem mais à saúde pública do que à própria população. Para verificar essa verdade é só visitar o sistema de saúde de algumas cidades do país. Eu, que já vivi em algumas, não posso negar as diferenças grotescas, não só na qualidade do atendimento como na educação dos atendidos.

No passado tudo era muito mais simples, mais rústico, mais caseiro e manual. Hoje não se faz mais nada como antigamente. Muito do conhecimento do passado foi perdido e/ou substituído por um conhecimento que hoje, ainda muitas vezes, falha mais do que deveria. O resultado desse fenômeno é uma dependência absurda do sistema de saúde. É só você visitar um hospital ou falar com um médico plantonista que você entenderá o que quero dizer. Pessoas vão à emergência dos hospitais com as queixas mais "esdrúxulas" possíveis. As vezes é uma dor de cabeça, as vezes uma pequena dor de dente, as vezes só para não ficar em casa. Isso só faz aumentar o tempo de espera e reduzir a qualidade dos atendimentos, levando à um abarrotamento desnecessário do sistema. É como a velha história dos 3 porquinhos. De tanto um dos deles mentir quanto à aparição do lobo, quando este, de fato espreitou-se, os outros não acreditaram. Chegamos ao ponto, então, de precisar convencer um médico de emergência que estamos MESMO passando mal, bem como aconteceu comigo quando da passagem do meu cálculo duas semanas atrás. Agora, me pergunte se eu me revolto por isso. Não consigo! Como me revoltar contra um sistema que mal contribuo para melhorar. Impostos são o mínimo que podemos fazer para contribuir com a melhora da sociedade. Um Estado não se faz apenas de dinheiro. Se fôssemos mais honestos e socialmente ativos, tenho a impressão de que nossa carga tributária não seria tão grande bem como o serviço público seria de melhor qualidade. Ainda que essa reflexão não justifique a inércia Estatal, que se apresenta muitas vezes, se seriamente analisada, aliviaria muito alguns dos gargalos da saúde pública em nosso país.

Moro em uma cidade que é referência turística do Brasil. Uma cidade que foi escolhida como uma das sedes da Copa 2014. Uma cidade que tem um potencial único na região. Uma cidade que tem belezas naturais incomparáveis. Ainda assim uma cidade onde impera o caos da saúde. Entra governo, sai governo e pouco acontece, muito menos ainda muda.

É fato que o poder público negligencia DEMAIS essa área, mas forço-me a dizer que novamente a culpa é NOSSA! Quando foi a última vez que você ou eu nos dirigimos à Prefeitura, Governadoria e/ou Planalto para, de forma organizada e sóbria, fazer uma reclamação e posterior acompanhamento quanto à essa questão? Talvez você diga que uma andorinha só não faz verão, e sou forçado a concordar, mas nunca foi essa a proposta. A questão é que somos extremamente acomodados, e principalmente quando se trata de saúde, onde o tempo que passamos doentes tende a ser sempre muito menor do que o tempo que passamos saudáveis.

A solução que nós, povo acomodado encontrou, foi simplesmente ignorar todos esses fatos e ceder à sedução do sistema capitalista que promete vender-nos uma saúde "MUITO" melhor por um preço meramente simbólico diante da importância daquilo que buscamos. Minha crítica hoje não visa provar que podemos economizar em saúde - por que, fato é, NÃO PODEMOS - mas sim conduzir à uma reflexão quanto à nossa parcela de responsabilidade nesse problema que certamente, com o nível de envolvimento da sociedade atual, não se resolverá tão cedo. Com isso não há muito o que se fazer, senão "vender saúde" (hora extra, levar trabalho para casa e etc) para, seja para nós ou nossos filhos, "comprar PLANO DE SAÚDE".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Milagre da Paternidade!

Já vai fazer duas semanas que Ramoñ Jr. nasceu e eu com esse post para escrever. :D

Que experiência maravilhosa tem sido. Desde o momento que vi, pela primeira vez aquele cabeção cheio de cabelo eu sabia que minha vida ia mudar. E como tem mudado.

Durante toda a vida, especialmente como um rapaz, eu ouvia meus amigos mais velhos falando da experiência de ser pai e como era bom. Por muito tempo eu sequer gostava de crianças. Bastaram 2 anos como Missionário de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nos pampas Gaúchos para fazer a primeira grande mudança no meu coração. A cada dia que passava eu apreciava mais e mais a companhia desses anjos recém chegados da presença do Pai Celestial. Foi aí que eu tomei a decisão de ter MUUUUITOS filhos. Encontrei uma outra doida que tivesse o mesmo desejo e logo nos casamos. Um ano se passou e quando veio a notícia eu não acreditei... LITERALMENTE! Conhece a história do porquinho brincando que o lobo estava chegando...? Pois bem, minha esposa por várias vezes brincou com a gravidez, e quando o menino foi mesmo concebido eu não levei à sério. Fui descobrir no dia seguinte por meio de uma mensagem eletrônica de congratulações da minha sogra... UAHuAHuAHuHAU

Mais de 9 meses se passaram até que o dia chegou. Estávamos todos ansiosos, entendíamos a importância de um parto normal para a realização do nosso desejo de ter 5-7 filhos. Grande foi a nossa tristeza e lágrimas molharam nossos olhos quando já não havia outra saída senão a cirurgia. Nos sentimos profundamente gratos e felizes, no entanto, pelo rapaz saudável e de pés e mãos gigantescos com o qual fomos abençoados.

Todo mundo dizia que depois do primeiro eu mudaria minha opinião sobre ter muitos filhos. Sinto frustrá-los, mas a cada dia que passa, a cada noite que eu acordo, a cada fralda trocada eu só consigo sentir mais alegria e desejo de trazer à Terra os filhos espirituais do Pai Celestial que já nos foram designados, e quem sabe alguns mais.... \o/

Alguns talvez pensem que seja falsidade, mas como posso reclamar com tantas bênçãos? Muitos temem ter filhos por causa do "trabalho" que dão, acordando no meio da noite, eventualmente adoecendo e etc. Mas quantas e quantas vezes passamos a noite em claro em uma balada, assistindo a um filme, brincando com os amigos e etc? E o que ganhamos com isso? As mesmas olheiras, dores de cabeça, sonolência que ganhamos ao criar um filho que, se bem educado, nos trará as maiores alegrias da vida. As vezes as pessoas me perguntam se meu filho incomoda só para ouvirem a resposta animada: "O que? Só come e dorme o 'minino'!" Ainda que por vezes me vejam dando uma ou outra pescada em uma reunião da Igreja ou mesmo do trabalho, não consigo pensar diferente.

Na verdade eu me pergunto? Será que isso é mesmo incomodar? Somos tão egoístas! Estou certo de que poucas coisas na vida podem nos transformar nesse sentido como a chegada de um filho. Esse, portanto, é o maior de todos os milagres que nos acontece nessa época especial, essa transformação, essa mudança, que nos faz melhores, mais felizes e confiantes. E por essas e muitas outras razões que levanto os braços em direção aos céus e agradeço por esse milagre, O MILAGRE DA PATERNIDADE!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Vestuário"

Brás, São Paulo, fevereiro de 2011. Estou eu, feliz a caminhar fazendo algumas compras para o enxoval de "Ramoñzinho". Entro "faceiro" numa loja e pergunto: - Quanto é esse macacãozinho? "R$ 85,00" responde a vendedora... ao que fui obrigado a replicar: - "E UM só, quanto é? :D

Não há dúvida de que o vestuário é um item que a cada dia está mais caro para o bolso dos brasileiros, no entanto, não precisa ser assim.

É claro que para aqueles a quem amamos desejamos dar o que é de melhor, e é justamente nesse ponto que a visão, em especial do brasileiro é absurdamente distorcida, afinal, o que é "o melhor" quando se trata de vestuário?

O brasileiro tem uma tendência terrível de achar que tudo o que é caro é melhor. Não se pode questionar que quanto maior a qualidade, maior o valor agregado, essa é uma regra básica do mercado, porém esquecemos que vivemos em um sistema que o que impera não é a primazia da qualidade, mas sim a da mais valia, fazendo com que, se um comerciante pode vender um produto de uma qualidade superior mas, por qualquer motivo que seja, consegue vender um produto de qualidade inferior pelo mesmo preço com uma margem de lucro maior não há dúvida quanto ao que ele fará, e é nessa armadilha que a maioria de nós é pega sem, muitas vezes, perceber.

"Porém, contudo, todavia e entretanto" todos sabemos que qualidade não é a questão para a grande maioria sociedade. Mais uma vez a ânsia por aceitação se faz presente nos filhos. Já discutimos um pouco sobre isso no primeiro "post" e não há como não retornar à essa questão ao falar de vestuário. Todos sabemos aquilo que é necessário para a proteção física do corpo, muitas vezes, porém, além de nomes, somos levados à incluir sobrenomes nas roupas que utilizamos. Dessa forma, camisetas já não são mais meras camisetas e passam a ser chamadas "Hollister" ou "Thommy", tênis passam a ser chamados "Nike", "Adidas" ou "Puma", calças são agora "Lee", "Calvin Klein" e etc. Esse fenômeno faz com que nossa geração hoje, compre muito mais pelo nome e muito menos pela utilidade, onerando, sem sombra de dúvida o orçamento familiar.

Isso, porém, não é tudo. Infelizmente quando se fala de vestuário, o preço monetário que pagamos em alguns itens é insignificante quando comparado ao custo que arcamos pelas conseqüências de utilizá-los. A extravagância vem a cada dia tomando conta daquilo que se chama moda, expondo o corpo de homens e mulheres de forma cada vez mais natural a aceitável. Essa exposição degrada a imagem e desde pequenos nossos jovens são levados a se acostumar com esse apelo, o que se reflete no seu comportamento, gerando, para a sociedade e principalmente para a família, um preço de manutenção extremamente elevado. O recato já não faz parte das qualidades de um bom vestuário, de fato, quanto menos pano, mais caro e mais valorizado. Não me admira situações, como a que há algum tempo explorou-se com tanto sensacionalismo em mais um dos "Massacres da Mídia", no caso UNIBAN & Geisy Arruda.

A solução, portanto, me parece simples. Basta-nos ser um pouco menos influenciáveis e um pouco mais originais. Na verdade, seguir tendências é muito fácil. Especialmente quando essas tendências são desenvolvidas, com anos de antecedência, para justamente influenciar o maior número de pessoas possíveis. Resta-nos a decisão de sermos agentes ativos e não passivos de nossa própria vida, tomando controle de nossas decisões e não simplesmente cedendo aos apelos daqueles cujos interesses são meramente financeiros. É nossa a decisão entre oferecer aos nossos filhos um VESTUÁRIO APROPRIADO em detrimento de um que seja meramente da MODA! Afinal, a moda é VOCÊ mesmo que faz!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ensaio sobre a Cegueira

Um carro aleatório pára num cruzamento; todos se indignam; começa o buzinaço, alguém percebe ter algo errado e vai em direção ao motorista. Um oftalmologista atende um paciente e no dia seguinte ao acordar mal consegue sair da cama. Um ladrão que acaba de furtar um veículo abandona-o ao avistar a polícia mas não consegue fugir. Pessoas diferentes, em lugares diferentes, um mesmo sintoma: CEGUEIRA.

Talvez não esteja acontecendo exatamente como o grande Saramago imaginou, mas temos presenciado uma “pandemia” generalizada que vem se alastrando com velocidade assustadora. Um tornado comportamental, um tsunami social. Refiro-me àquilo que nos costumamos a chamar de “Rede Social”. A cada dia que passa angariamos mais amigos e nos tornamos mais distantes. Falamos com mais pessoas sem falar com ninguém. Recebemos inúmeras mensagens sem que qualquer delas nos tenha sido endereçada. Expandimos nossa visão para o mundo e a encurtamos para os que nos são próximos. Abrimos nossa vida e fechamos nosso coração.

Não há dúvida de que a tecnologia e todas as suas ferramentas são um grande benefício para a humanidade, contudo, a maneira exagerada como tem sido usada, já hoje tem afetado jovens, adultos e mesmo crianças, resumindo aquilo que nos é mais precioso nessa vida, os relacionamentos, por vezes, à meros 140 caracteres. Seguimos tanta gente, mas no final sequer saímos do lugar.

Como um utilizador frequente dessas tecnologias não posso negar as grandes vantagens de se comunicar, ainda que por uma breve mensagem com pessoas que há poucos anos simplesmente perderíamos para sempre, no entanto a vida não pode ser feita apenas de breves mensagens, existem livros que precisam ser escritos e esses só são possíveis por meio de atenção e dedicação às pessoas por trás dos “profiles”, que por sua vez são meras representações daquilo que um pessoa é ou gostaria de ser, uma verdade meramente relativa.

Essa mudança tem, de forma muitas vezes definitiva, castrado nossos jovens emocionalmente. É como foi cômicamente retratado em um filme que assisti recentemente: um jovem volta à década de 80 e ao se deparar com uma bela moça em uma festa dispara, todas as vezes sem sucesso: “- Qual seu e-mail?”, “Você tem MSN?”, “Posso te mandar um torpedo depois?”… “Já existe o GOOGLE?”.

As habilidades interpessoais, que de acordo com uma pesquisa realizada há alguns anos atrás são apontadas como responsáveis por mais de 80% do sucesso profissional já não são mais desenvolvidas como no passado. O número de pessoas deprimidas tem aumentado na mesma proporção do crescimento dessa realidade virtual.

Felizmente, a cegueira de nossos dias é voluntária e, portanto, controlável, contudo, a unica maneira de contermos o avanço dessa onda é nos elevarmos aos lugares mais altos, nadarmos contra a maré e não desistir. Não precisamos nos abster totalmente, mas não se pode discutir ser responsabilidade da nossa geração encontrar o meio que ajudará aqueles que nos sucederão a DESCONECTAR PARA CONECTAR.


domingo, 17 de abril de 2011

O que MAIS IMPORTA!?

Esse discurso foi proferido na Conferência Geral de Abril/2010 d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias.

Nossa vida é de fato repleta de desafios e alegrias. Precisamos a cada dia nos esforçar ao máximo para enfatizar os sucessos e realizações e minimizar os fracassos e sofrimentos. Sem dúvida nenhuma isso não é fácil de fazer, mas quando temos a perspectiva correta e entendemos por que estamos aqui podemos nos elevar acima das nuvens de escuridão que nos encobrem e vencer a mediocridade.

Uma ótima semana à todos... Que tenhamos uma ATITUDE positiva para com a vida e nosso próximo... Afinal... É isso que MAIS IMPORTA!

AQUELE ABRAÇO!

O Massacre da Mídia

Explosão Nuclear, Massacre de Inocentes, Saques à mão Armada, Bombas Explodindo... Não, não é o fim do mundo, são APENAS as PRINCIPAIS notícias de uma edição "regular" de um dos telejornais de maior audiência no Brasil.

Não há dúvida de que a mídia desempenha um papel importante na disseminação da informação, mas do que é que tem sido feita a programação dos nossos noticiários? E no final, o que fica? A solução do problema...? Não... Mas sim o medo, o desespero, o terror...

Recentemente assistimos perplexos uma das maiores atrocidades já cometidas em nosso país. Crianças, inocentes, no lugar certo, na hora certa entre as pessoas certas brutalmente assassinadas por um "louco" para dizer o mínimo.

Desde o ocorrido eu mesmo (que nem sequer tenho uma televisão funcionando em casa) assisti à duas reportagens sobre novos "atentados" em Santos e São Paulo. Emissoras disputam para apresentar "notícias", fotos e vídeos em primeira mão. Todas as revistas de grande circulação nacional estamparam capas vermelhas com a foto do assassino. Me assustei quando recebi no Twitter uma mensagem que dizia mais ou menos assim: "Hoje o Globo Esporte não será transmitido devido ao ocorrido no bairro do Realengo/RJ". Não entendi... Como já disse, nem sou de assistir televisão, mas a questão é: "Por que um programa esportivo (e poderia ser de qualquer outra coisa, moda, cultura, desenho etc...) é substituído pela cobertura de um massacre?" Depois de muito pensar e lutar contra a vontade de simplesmente atacar a mídia percebi que isso só acontece por um motivo... Por que NÓS queremos!

Não sei exatamente por que, mas no fundo no fundo existe algo que parece ser próprio do ser humano que o atrai para esse tipo de informação e conteúdo. Ainda que saibamos o quanto mal isso nos faz e principalmente aos mais jovens, falamos sobre isso nas escolas, nas rodas de amigos, no trabalho, em todo o lugar...

É um fato extremamente triste e desanimador, que nos mina a esperança de vivermos em paz num país tão belo e rico como é o Brasil. É um fato revoltante que nos corrói o espírito de raiva e indignação. Nos parte o coração e deprime a alma. Nos preocupa e torna o cotidiano algo sombrio. Nos faz sentir saudades dos tempos que nunca vivemos e nos enegrece a visão no fim do túnel. Por essas e muito mais é que me pergunto: POR QUE CONTINUAMOS FALANDO DESSES ASSUNTOS!?

Não há dúvida de que vivemos "tempos trabalhosos" (2 Timóteo 3:1) e por isso mesmo é que precisamos de uma dose cada vez maior de otimismo, de notícias boas e positivas. Não se pode vencer um desafio a menos que acreditemos que seja possível. E o desafio que temos diante de nós sem dúvida alguma é dos maiores já vistos na história da humanidade. Há mais de 2 séculos, no entanto, Charles Dickens em seu clássico "Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a idade da sabedoria, era a idade da tolice, era a época da , era a época da incredulidade, era a estação da luz, era a estação das trevas, era a primavera da esperança, era o inverno do desespero tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós..." (A Tale of Two Cities, (1859), Book the First, Chapter I).

Que recusemos a exposição exacerbada das desgraças e problemas que, por si só, nos assolam diariamente, que tenhamos a coragem moral de promover aquilo que é bom e dessa forma pavimentemos, ainda que seja APENAS de ESPERANÇA, o caminho daqueles que nos sucederão...

PS: Para os que gostarem de boas notícias, recomendo o blog:

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Alimentação"

Esse é o segundo de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Seguindo a ordem das necessidades como apresentadas no tópico da semana passada hoje é dia de falar sobre "ALIMENTAÇÃO".

É fato que em todas as épocas a alimentação foi uma necessidade, tal qual a moradia, primordial para a sobrevivência humana, no entanto, o tipo de esforço envolvido na satisfação dessa necessidade é que mudou consideravelmente. Pode-se dizer que grande parte dessa mudança deu-se a partir do século XVIII com a Revolução Industrial. Até então, as famílias plantavam grande parte de sua própria comida, consistindo no plantio e respectiva colheita o esforço necessário para sustentar um filho.

Mas com a industrialização muita coisa mudou. Descobriu-se que o homem poderia empregar sua força física e mental em outras tarefas que não a do plantio e colheita, passaram a designar essa tarefa, portanto, às maquinas. Não que essas não sejam um avanço, muito pelo contrário, mas esse mesmo avanço fez com que o homem retrocedesse quanto à sua consciência relativa aos hábitos alimentares que durante milênios desenvolveu. Em algo em torno de 2 séculos a humanidade simplesmente esqueceu aquilo que é "natural" e passou a conviver de forma extremamente amigável com o que é "artificial".

Mas as indústrias não se contentaram com o mero controle do processamento do "alimento da terra", elas passaram a prepará-lo. Surgiram com isso as grandes redes de restaurantes. Logo, seja por demanda social ou por meros interesses econômicos, foram desenvolvidos processos de otimização do tempo de preparo do alimento resultando no que hoje conhecemos como "FAST FOOD". Com tamanho controle não tardou muito até que as Indústrias começassem a produzir seu próprio alimento, surgem os biscoitos recheados, salgadinhos, empanados, refrigerantes e afins, a famosa "JUNK FOOD". Tudo, mais uma vez, como um processo de economização daquilo que a terra nos dá "livremente".

Não bastasse TUDO o que já foi mencionado, um sistema extremamente eficiente de publicização dos "novos" hábitos alimentares foi desenvolvido de modo a entrar de forma definitiva nos lares dos bilhões de pessoas que tem acesso à uma televisão. As crianças já não se interessam mais em comer legumes, mas não rejeitam um "Danoninho", torcem o nariz para comer arroz e feijão, mas não pensam duas vezes antes de abocanhar um "grande" "Big Mac", não tomam mais água vivendo à base de refresco em pó ou refrigerante. Não pode ser surpresa nenhuma o aumento grotesco no índice de doenças graves, em crianças, que passado eram praticamente exclusivas dos adultos.

A saúde, no entanto, não é o único aspecto da vida que tem sido afetado por esse sistema. Já não se vê em quase lugar algum a família reunida ao redor da mesa para se alimentar, já não se pode mais elogiar a comida da "mamãe", quem dirá a da "vovó". Muitos dos laços afetivos e memórias, que no passado eram criados ao redor da mesa de jantar hoje se resumem à convites para um ou outro almoço rápido no shopping ou um jantar no dia de Natal. O que esperar dos custos emocionais resultantes desse processo? É possível que sejam ainda muito maiores do que os financeiros.

Diante desse cenário, não posso discordar do fato que alimentar um filho seja realmente MUUUITO caro, porém, quem foi que disse que temos que dançar de acordo com "essa" música? Estou certo de que, mesmo diante das muitas limitações a nós impostas, podemos, ainda que minimamente e retornar às origens, escolher a ALIMENTAÇÃO NATURAL em detrimento da ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL.

domingo, 10 de abril de 2011

Inícios

Dizem que para um homem se realizar na vida ele precisa fazer 3 coisas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Mesmo na infância fiz a minha tentativa de plantar uma aceroleira de uma muda presenteada pelo grande amigo Sérgio Martin e hoje aguardo meu primeiro herdeiro que está por nascer. Para compensar a coletânea de crônicas e poemas da adolescência perdida sem nunca ter sido publicada, tive a idéia de dar início à esse Blog e quem sabe no futuro compilar esses pensamentos em um livro de memórias.

Meu intuito é compartilhar alguns pontos de vista que, muito embora, não me sejam exclusivos, infelizmente não me parecem ser abordados com a frequência e abrangência merecidos. Uno, portanto, a minha "voz" às muitas no mundo de hoje que defendem aquilo que é bom e justo.

Pode ser que nem tudo o que eu venha a escrever seja 100% original, afinal de contas não quero me arvorar "inventor da roda", mas espero ser capaz de ir além e apresentar novas utilidades ao conhecimento existente assim como o grande anônimo que teve a brilhante idéia de lançar mão de 4 rodas e uní-las de modo a torná-las um veículo.

Espero poder contribuir e instigar a reflexão deixando esse espaço aberto às críticas e sugestões, que sempre serão MUITO BEM VINDAS.

Dessa forma, para todos os leitores e amigos... O já famoso:
AQUELE ABRAÇO!

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Moradia"

Esse é o primeiro de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Talvez à priori o leitor se pergunte o que tem a ver o tema desse post com o título do Blog. A ponderação sincera indicará um forte vínculo entre os temas.

Recentemente ministrava uma aula na qual falávamos da importância da política na sociedade e eventualmente o tópico voltou-se para a família. Expressei minha intenção de ter 7 filhos o que causou certo espanto entre os ouvintes, todos adultos, alguns bem jovens, outros mais velhos, todos extremamente inteligentes e bem preparados. Quase que automaticamente a questão voltou-se para o custo de se criar um filho. Para os que me conhecem, tenho uma visão bastante - para alguns otimista, para a maioria irresponsável - quando se trata de finanças, e no que diz respeito à filhos não poderia ser muito diferente. Somos frutos do meio, não há o que se discutir à esse respeito, e o meio em que cresci e as pessoas com quem convivi me mostraram que é possível, ainda que eu não fosse maduro o suficiente para entender como, termos famílias grandes sem que milhões sejam exigidos. Como mencionei, nunca soubera explicar de forma lógica como isso era/é possível, no entanto, nesse dia, de forma quase que automática algumas idéias me ocorreram para fazê-lo, assim surgiu a "Teoria dos Adjetivos".

A primeira grande preocupação de uma pessoa normal (enfatizo normal por que nesse sentido me considero anormal por simplesmente não conseguir me "preocupar") quando se trata de filhos é a estrutura necessária para a sua criação. Bem, isso me parece ser um padrão desde os primórdios da humanidade. Ainda que de formas diferentes, em praticamente todas as civilizações encontramos os seguintes elementos listados como essenciais à criação de um filho:
1. Moradia;
2. Alimentação;
3. Vestuário;
4. Saúde;
5. Educação;
6. Entretenimento;

Pois bem, quanto à isso creio que temos um consenso. A questão é que esses mesmo elementos, ainda que em todas as épocas necessários, não parecem ter impedido nossos antepassados de terem grandes famílias não é verdade? Por que nos impedem hoje? Tudo é culpa dos adjetivos. Comecemos com a "MORADIA".

Antigamente morava-se em cavernas, casas de palha, barro, madeira, alvenaria... Muitos foram os momentos em que a sociedade impôs padrões para a moradia. Até que chegamos ao momento em que mais do que um mero teto, precisamos de um quarto plenamente mobiliado para cada um dos filhos com tudo o que se tem "direito". Cada nascimento é acompanhado pela obrigação de uma reforma e/ou renovação de cômodos, móveis e afins. Muitos defendem que essa "preparação" faz com que a criança se sinta amada e bem recebida. Bem... Não sei vocês, mas eu simplesmente não consigo lembrar se meu berço era branco, amarelo, novo, usado, inteiro, quebrado, ou se sequer tive um. Não me vem a memória se o quarto fora pintado, reformado ou se ao menos me era exclusivo. Não me recordo de ter um guarda roupa combinando com o abajur, que por sua vez combinava com a cômoda que fazia par com a cama. Confesso que no fundo não me lembro de NADA! Então por que nos preocupamos tanto com isso?

Existe uma necessidade inerente ao ser humano de ser aceito por aqueles com quem convive, porém, para que isso aconteça, muitas vezes você precisa acompanhar o grupo. O grupo a que pertencemos hoje é um grupo bajulador, consumista e copiador. Muito do que possuímos não possuímos por necessidade, muitas vezes sequer por desejo, mas sim por que outros possuem. Além dessa realidade, sofremos da síndrome da necessidade de agradar/impressionar muitos daqueles que sequer conhecemos. Essa cultura tem sido incutida em nossa mente ao longo da história, de modo que quase não percebemos, apenas seguimos. Essa tendência nos leva a acreditar que tudo o que buscamos é na verdade o mínimo, ainda que esse mesmo mínimo em épocas passadas fosse muito menos exigente. Dessa forma, a necessidade que outrora tinha o intuito de proteger das intempéries, de predadores e outras ameaças basicamente físicas passou a ter o intuito de ostentar e diferenciar. Essa é a marca da sociedade como constituída atualmente. Ainda que diversas outras variáveis possam ser discutidas, cada qual com seus méritos, a mera necessidade de uma "moradia", termo objetivo, de simples compreensão e interpretação, passou a ter uma carga extremamente subjetiva e volitiva ao ser redefinida como moradia CONFORTÁVEL.

O velho "pedacinho do céu" que antes era construído com extremo esforço por cada um, hoje, ainda que ilusóriamente, mesmo antes da formação da família, pode ser "adquirido" em até 24 vezes no carnê. Não me surpreende o fato de termos tantos filhos/jovens infelizes, revoltados e deprimidos "cobertos" por um conforto sequer sonhado por aqueles que os antecederam.