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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tiro no Pé

Hoje a tarde tive o prazer de participar de uma discussão a respeito de um tema que muito me chama a atenção: o Feminismo. Confesso que estou longe de ser um estudioso do assunto, mas tenho minhas opiniões com base em observação contínua ao longo dos anos.

Em primeiro lugar quando pensamos em feminismo pensamos em liberdade. Liberdade, no entanto é um conceito extremamente aberto e relativo e é nesse conceito que o movimento se perde. No Século XIX e início do Século XX a liberdade que se buscava era a de votar, de se expressar, de participar nas decisões familiares... Com o passar dos anos, essa busca passou a ser a da liberdade de "pensar", de trabalhar, de progredir e crescer. Com muito esforço e sacrifícios todas essas liberdades foram de uma forma ou de outra sendo alcançadas, porém a liberdade pode ser traiçoeira, quanto mais se tem mais se quer ter, e a partir desse ponto aquilo que era positivo e edificante passou a ser prejudicial e desestruturador, principalmente quando se trata de relacionamentos. A partir do momento em que a mulher decidiu que tinha liberdade de iniciativa e que não mais precisava esperar pelas investidas masculinas, passou a ser menos cortejada, afinal de contas um homem minimamente inteligente entende que, diante da quantidade esmagadoramente superior de mulheres em relação aos homens, sem qualquer esforço, por mais que não seja a "cereja do bolo", no final da festa ele não terá ficado sem o seu "pedaço".

Na questão profissional a grande confusão foi no momento de conciliar o trabalho com a família. Independente de crenças ou teorias o fato é que a mulher é quem é capaz de dar a luz e por conta das limitações que essa condição pode impor, ao homem foi dada a responsabilidade de prover. A partir do momento que a mulher decide que mais lhe vale ter sucesso do que ter filhos parte do próprio propósito de sua existência passa a ser eclipsado. E com isso toda a sociedade passa a sofrer e agonizar. Não que a mulher não deva trabalhar e estudar, MUITO PELO CONTRÁRIO, mas a ânsia de alcançar o MESMO que os homens acaba por prejudicá-las mais do que beneficiá-las. Afinal de contas você consegue imaginar algum benefício na hipótese de os homens começarem a lutar pelo direito de igualdade com as mulheres no que tange a maternidade?

Veio então a liberdade sexual. Aí foi onde a coisa desandou de vez. Desde sempre a mulher foi protegida e de certa forma privada dos "prazeres da carne", ao passo que aos homens tudo era lícito, ainda que entendendo ser isso errado não podemos mudar uma realidade que levou milênios para se desenhar. Devido a esse processo a mulher desenvolveu uma expectativa e perspectiva muito mais apropriada do relacionamento íntimo entre homem e mulher, ao passo que para o homem esse mesmo relacionamento banalizou-se ao ponto de poder ser "comprado" por miséria. Anos de injustiça despertaram na mulher moderna a ânsia de desfrutar do mesmo que os homens sempre desfrutaram, mal sabiam quão pior isso seria, facilitaram a vida dos aproveitadores e passaram a sofrer duplamente, em outras palavras institucionalizaram o estupro. Sim, pois, por mais que existam algumas poucas mulheres que consigam MESMO manter relações sexuais sem se apegarem, a GRANDE maioria continua esperando noites de "conchinha" e café da manhã na cama. Dessa forma cavaram sua própria cova e sofrem sem saber o que fazer. Alguns podem argumentar que esse é um processo e que com o tempo elas se adaptarão, mas aí eu me pergunto: será que vale a pena mesmo acabar com o romantismo, o cavalheirismo, o cortejo e etc... Se as coisas continuarem assim, os homens, que são em menor quantidade e qualidade em breve passarão a receber flores e bombons para se darem ao luxo de dispensar uma ou outra pretendente. Ou ficarão em casa, sem filhos, assistindo sua série favorita, jogando pelada com os amigos enquanto as esposas insatisfeitas ralam das 7h as 18h da noite. "Negoção" hein!? =/
Aquele Abraço!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Decisões Capitalistas, Mentes Submissas

ACABOU! Ou será que apenas começou... O grande mistério da casa mais vigiada do Brasil terminou em "expulsão" do suposto estuprador... Quase um thriller Hollywoodiano, não fosse pelo fator "capital".

Quando na tarde de Segunda-Feira a Polícia bateu no PROJAC já desenhou-se o resultado da questão. Como sustentar uma situação como essa que já virara caso de polícia? Alguém tinha que pagar por isso, e pense no prejuízo que seria para a produção a debandada da publicidade que rende MILHÕES a cada programa. "Regras" teriam que ser quebradas e todo o sistema colocado em cheque, até mesmo a massa em pouco tempo se viraria contra sua maior alienação. A solução? "Quem inventa aguenta!" Sobrou para o "perpetrador" ser o extintor a apaguar a chama que poderia consumir milhões em poucos dias. A explicação? Ele quebrou regras graves de conduta. Mas quais regras foram essas? Ele de fato consumou o ato ilícito? A moça tentou acobertá-lo? A produção tentou colocar panos quentes? O que será de todos os envolvidos? Muitas perguntas e poucas respostas... E estou certo de que, pelo menos no que tange ao ocorrido, ficará por isso mesmo, afinal de que serviria uma boca aberta fora da casa? Sigilo reinará e nenhuma manifestação será vista do que hoje é tido como estuprador mas que pode ter sido nada mais do que um bode expiatório!


Tudo isso expõe mais uma vez como somos passivos e conformados, dentro em breve toda essa discussão será página virada e o próximo escândalo que, pelo menos dada a rapidez com que as coisas tem acontecido naquela casa, não tardará a surgir, povoará os comentários, tweets e colunas de toda a mídia brasileira... É assim que a gente chega lá...
Aquele Abraço...


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O "Estupro Mental" do BBB

#danielexpulso...
Foi essa a Hashtag que entrou para os TT do Twitter na noite do sábado para o domingo. Porquê? Um suposto estupro dentro da "casa mais vigiada do Brasil". Parece que esse é apenas o primeiro de muitos escândalos que se apresentarão nos próximos meses. Vale a pena lembrar que a "atração" começou há apenas UMA semana. =/

Toda a "fuzarca" que se deu depois do ocorrido em todos os portais da Internet só me fez refletir no tamanho da hipocrisia envolvida em toda essa situação. Todas as semanas, ou finais de semana, esse mesmo cenário se repete: Festa e Álcool seguidos de Sexo. Quem é que reclama disso? Ainda que eu não seja adepto da "espiadinha" estou certo de que a moça não estava mais alcoolizada do que muitas outras naquela mesma hora e que eram levadas para a cama por "aproveitadores". Quem é que reclama disso? Isso sem falar no fato de que quando algo nesse sentido acontece, as mesmas mulheres que querem ser tratadas como os homens, que querem agir e sentir o mesmo que eles sentem são prontamente retomadas a posição de sexo frágil, sensível e por aí vai... E o que dizer da ausência TOTAL de conteúdo de um programa que repete a mesma fórmula há 12 anos e que não contribui em NADA para a educação e/ou desenvolvimento de seus espectadores? Quer maior estupro do que esse? Quantas mentes alienadas e realmente incapazes são molestadas diariamente com as armações e jogatinas de uma realidade que nada mais é senão forjada? E quem é que reclama disso?

Por fim não tenho intenção nenhuma de fazer defesa ao rapaz ou qualquer outro em posição semelhante, só penso que além de criticarmos tão veementemente atitudes como a supracitada, deveríamos também criticar os muitos outros hábitos e comportamentos tão comuns e por vezes até incentivados dentro da mídia do nosso país.
#CulturaJÁ!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O Último Romântico...

"Faltava abandonar a velha escola Tomar o mundo feito coca-cola Fazer da minha vida sempre O meu passeio público E ao mesmo tempo fazer dela O meu caminho só Único.

Talvez eu seja O último romântico Dos litorais Desse Oceano Atlântico...

Só falta reunir A zona norte à zona sul Iluminar a vida Já que a morte cai do azul...

Só falta te querer Te ganhar e te perder Falta eu acordar Ser gente grande Prá poder chorar...

Me dá um beijo e então, aperta a minha mão, Tolice é viver a vida Assim, sem aventura...

Deixa ser Pelo coração Se é loucura então Melhor não ter razão..."
(Lulu Santos)

Bem, se você estava esperando um texto romântico, daqueles de suspirar, o melhor que você vai conseguir é o acima transcrito, o que, venhamos e convenhamos, é uma ótima pedida. ;)

Na verdade essa canção tem me acompanhado nas últimas semanas e não consigo tirá-la do meu repertório mental, o que seria normal se estivesse vivendo uma época apaixonada ou algo semelhante. A questão é que esse não é o caso. Tenho vivido um momento de muitas incertezas e questionamentos, uma época de dúvidas e decisões. Isso tudo me fez refletir na beleza das palavras desse poema, afinal de contas, quem disse que o romantismo está sempre e necessariamente relacionado ao amor? Isso me levou a uma releitura pessoal dessa música que há muito me encanta.

Na verdade vivemos num mundo extremamente cético e egoísta, um mundo em que cada um é por si e nem mesmo Deus por todos, um mundo de competição e individualismo, da sobrevivência dos mais aptos... "A velha escola..." Mas nesse cenário de semelhanças que geram distorções, por mais dificil que pareça, cada um é capaz de traçar o seu "caminho só, ÚNICO..." Não precisamos reproduzir o que a sociedade nos apresenta, seja lá o que for, somos agentes e recebemos o privilégio de escolher nossos caminhos, ainda que sob sistemas pouco ideais.

"Só falta te querer..." Afinal de contas que está disposto a dedicar-se a transformação, a mudar o mundo, ainda que isso signifique mudar a si mesmo. Diariamente reclamamos da política, da Economia, da educação e saúde, mas quanto temos feito para contribuir de forma significativa para a melhoria do nosso meio? Será mesmo que uma Televisão, celular ou computador novos são capazes de nos trazer felicidade e paz social?

Talvez "falta eu acordar..." para uma realidade que eu nunca quis que fosse minha. Enquanto vejo tantos, mesmo ao meu redor, buscando os caminhos mais fáceis e menos trabalhosos - o que não seria um problema se isso não fosse possível as custas de milhões que pagam com suor e sangue pela boa vida de poucos - me indigno com sua inércia e conformismo, regados de criticismo e hipocrisia.

Nessas horas eu penso mesmo que "tolice é viver a vida assim..." pois para que mais estaríamos aqui senão para crescer e desenvolver habilidades e características que são resultados, única e exclusivamente de trabalho duro mas com uma boa dose de ousadia, afinal, o que seria de nossa sociedade hoje se poucos no decorrer da história não ousassem confrontar o sistema de sua época em prol do desenvolvimento social? Continuaríamos segregando e limitando as liberdades uns dos outros, vivendo uma verdadeira selva humana.

Chegou, contudo a NOSSA vez de ousar, fazer diferente, de transformar um pouco de idealismo em realização e dar as gerações futuras a alegria de viverem num mundo melhor.

"Talvez eu seja o último romântico, dos litorais desse oceano atlântico..." mas acredito sinceramente que esse é o nosso momento como povo e nação de buscar o crescimento, o desenvolvimento e igualdade duradouros, para que sejamos lembrados pela história não como aqueles que pintaram as caras, mas que ousaram pintar o futuro...
Aquele Abraço...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Socialismo ou Bom Senso?

"Todo jovem tem direito a sua época socialista..." Em outras palavras essa, sem dúvida, foi uma das frases mais repugnantes que ouvi e sou capaz de me recordar, confesso que fico até feliz em não me lembrar quem o disse exceto pelo sentimento de que foi uma pessoa culta e proeminente.

É mesmo compreensível alguém que vive confortávelmente em sua casa própria com carro do ano na garagem e livre de qualquer necessidade pensar dessa forma. Quando jovem vê-se o sistema como um monstro, mas o tempo vai passando e acontece como ao sapo que colocado em uma panela de água fria morre cozido por se acostumar com a elevação gradativa da temperatura decorrente da exposição da panela ao fogo, ou seja, aquilo que era inaceitável passa a ser razoável e de razoável acaba por se tornar agradável. Mas será mesmo que deve ser assim? Temos que perder o espírito de mudança e desejo de contribuir para uma causa maior por conta do nosso egoísmo incontrolável?

Nesse cenário, sem dúvida, um dos maiores vilões é o conformismo. "Todo mundo pensa assim, todo mundo faz assim, quem sou eu para mudar as coisas?" Interessante é que por mais que as vezes pareça ser necessário mudar o mundo, muito menos se exige. Pense no caso de muitos cargos públicos no Brasil, um dos exemplos mais gritantes para mim é o dos "office boys" de luxo dos tribunais, vulgo "Oficiais de Justiça" que recebem hoje um salário de aproximadamente R$ 10.000,00 para fazer trabalho de carteiro. Não que o trabalho não seja importante, mas porque não pagam ao seu Zé, carteiro do bairro metade disso? Sem contar aqueles que se aproveitam do sistema deficiente e conseguem, de forma LEGAL, trabalhar 2-3 dias por semana. "Vida boa, vida boa, sapo caiu na lagoa..."

Mais uma vez a questão nunca seria o salário desproporcional se houvesse produtividade. Já pensou se no Brasil ganhássemos por hora como em países como EUA, Canadá e Inglaterra? Temos um grande déficit de produtividade em nosso país e muito disso é graças ao inchaço da máquina estatal que não é capaz de controlar os seus e acaba por desperdiçar muito mais do que o dinheiro do contribuinte, mas a força de toda uma nação.

Enfim, não se exige que instauremos uma revolução socialista, mas apenas que cada um tome consciência que, por mais que não pareça, somos peças de uma grande engrenagem, e que se pararmos prejudicamos o funcionamento de todo o sistema, um sistema extremamente complexo e uma engrenagem difícil de dominar, o a engrenagem e o sistema social.
Aquele Abraço...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Memórias

Hoje estava na Livraria desopilando um pouco enquanto lia e sentados, não muito distantes de mim, estavam dois senhores conversando de forma bastante animada, pareciam amigos de longa data que há muito não se viam, presumo que fossem pois pelas quase 2 horas que passei ali sentado tudo o que pareciam fazer era conversar sobre memórias... Riram, gargalharam, cantaram e muito mais, pareciam muito satisfeitos e felizes. Essa cena me fez ponderar a respeito do tipo de memórias que a nossa sociedade está nos incentivando a criar. Tudo está se resumindo, individualizando e isolando. Nossos relacionamentos não passam mais de comentários e tudo o que compartilhamos são fotos ou aquilo que gostariamos que as pessoas acreditassem que estamos pensando. Reproduzimos muito, produzimos pouco. Encurtamos distâncias, ampliamos barreiras. Queremos viver o mundo quando tudo o que fazemos é evitá-lo. Diante de tudo isso resta a dúvida se seremas capazes de, em alguns anos sentar por horas frente a frente com um amigo, rir, gargalhar e cantar como se não nos víssemos há anos, ainda que esse seja nosso programa semanal...