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segunda-feira, 25 de abril de 2011

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Vestuário"

Brás, São Paulo, fevereiro de 2011. Estou eu, feliz a caminhar fazendo algumas compras para o enxoval de "Ramoñzinho". Entro "faceiro" numa loja e pergunto: - Quanto é esse macacãozinho? "R$ 85,00" responde a vendedora... ao que fui obrigado a replicar: - "E UM só, quanto é? :D

Não há dúvida de que o vestuário é um item que a cada dia está mais caro para o bolso dos brasileiros, no entanto, não precisa ser assim.

É claro que para aqueles a quem amamos desejamos dar o que é de melhor, e é justamente nesse ponto que a visão, em especial do brasileiro é absurdamente distorcida, afinal, o que é "o melhor" quando se trata de vestuário?

O brasileiro tem uma tendência terrível de achar que tudo o que é caro é melhor. Não se pode questionar que quanto maior a qualidade, maior o valor agregado, essa é uma regra básica do mercado, porém esquecemos que vivemos em um sistema que o que impera não é a primazia da qualidade, mas sim a da mais valia, fazendo com que, se um comerciante pode vender um produto de uma qualidade superior mas, por qualquer motivo que seja, consegue vender um produto de qualidade inferior pelo mesmo preço com uma margem de lucro maior não há dúvida quanto ao que ele fará, e é nessa armadilha que a maioria de nós é pega sem, muitas vezes, perceber.

"Porém, contudo, todavia e entretanto" todos sabemos que qualidade não é a questão para a grande maioria sociedade. Mais uma vez a ânsia por aceitação se faz presente nos filhos. Já discutimos um pouco sobre isso no primeiro "post" e não há como não retornar à essa questão ao falar de vestuário. Todos sabemos aquilo que é necessário para a proteção física do corpo, muitas vezes, porém, além de nomes, somos levados à incluir sobrenomes nas roupas que utilizamos. Dessa forma, camisetas já não são mais meras camisetas e passam a ser chamadas "Hollister" ou "Thommy", tênis passam a ser chamados "Nike", "Adidas" ou "Puma", calças são agora "Lee", "Calvin Klein" e etc. Esse fenômeno faz com que nossa geração hoje, compre muito mais pelo nome e muito menos pela utilidade, onerando, sem sombra de dúvida o orçamento familiar.

Isso, porém, não é tudo. Infelizmente quando se fala de vestuário, o preço monetário que pagamos em alguns itens é insignificante quando comparado ao custo que arcamos pelas conseqüências de utilizá-los. A extravagância vem a cada dia tomando conta daquilo que se chama moda, expondo o corpo de homens e mulheres de forma cada vez mais natural a aceitável. Essa exposição degrada a imagem e desde pequenos nossos jovens são levados a se acostumar com esse apelo, o que se reflete no seu comportamento, gerando, para a sociedade e principalmente para a família, um preço de manutenção extremamente elevado. O recato já não faz parte das qualidades de um bom vestuário, de fato, quanto menos pano, mais caro e mais valorizado. Não me admira situações, como a que há algum tempo explorou-se com tanto sensacionalismo em mais um dos "Massacres da Mídia", no caso UNIBAN & Geisy Arruda.

A solução, portanto, me parece simples. Basta-nos ser um pouco menos influenciáveis e um pouco mais originais. Na verdade, seguir tendências é muito fácil. Especialmente quando essas tendências são desenvolvidas, com anos de antecedência, para justamente influenciar o maior número de pessoas possíveis. Resta-nos a decisão de sermos agentes ativos e não passivos de nossa própria vida, tomando controle de nossas decisões e não simplesmente cedendo aos apelos daqueles cujos interesses são meramente financeiros. É nossa a decisão entre oferecer aos nossos filhos um VESTUÁRIO APROPRIADO em detrimento de um que seja meramente da MODA! Afinal, a moda é VOCÊ mesmo que faz!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Ensaio sobre a Cegueira

Um carro aleatório pára num cruzamento; todos se indignam; começa o buzinaço, alguém percebe ter algo errado e vai em direção ao motorista. Um oftalmologista atende um paciente e no dia seguinte ao acordar mal consegue sair da cama. Um ladrão que acaba de furtar um veículo abandona-o ao avistar a polícia mas não consegue fugir. Pessoas diferentes, em lugares diferentes, um mesmo sintoma: CEGUEIRA.

Talvez não esteja acontecendo exatamente como o grande Saramago imaginou, mas temos presenciado uma “pandemia” generalizada que vem se alastrando com velocidade assustadora. Um tornado comportamental, um tsunami social. Refiro-me àquilo que nos costumamos a chamar de “Rede Social”. A cada dia que passa angariamos mais amigos e nos tornamos mais distantes. Falamos com mais pessoas sem falar com ninguém. Recebemos inúmeras mensagens sem que qualquer delas nos tenha sido endereçada. Expandimos nossa visão para o mundo e a encurtamos para os que nos são próximos. Abrimos nossa vida e fechamos nosso coração.

Não há dúvida de que a tecnologia e todas as suas ferramentas são um grande benefício para a humanidade, contudo, a maneira exagerada como tem sido usada, já hoje tem afetado jovens, adultos e mesmo crianças, resumindo aquilo que nos é mais precioso nessa vida, os relacionamentos, por vezes, à meros 140 caracteres. Seguimos tanta gente, mas no final sequer saímos do lugar.

Como um utilizador frequente dessas tecnologias não posso negar as grandes vantagens de se comunicar, ainda que por uma breve mensagem com pessoas que há poucos anos simplesmente perderíamos para sempre, no entanto a vida não pode ser feita apenas de breves mensagens, existem livros que precisam ser escritos e esses só são possíveis por meio de atenção e dedicação às pessoas por trás dos “profiles”, que por sua vez são meras representações daquilo que um pessoa é ou gostaria de ser, uma verdade meramente relativa.

Essa mudança tem, de forma muitas vezes definitiva, castrado nossos jovens emocionalmente. É como foi cômicamente retratado em um filme que assisti recentemente: um jovem volta à década de 80 e ao se deparar com uma bela moça em uma festa dispara, todas as vezes sem sucesso: “- Qual seu e-mail?”, “Você tem MSN?”, “Posso te mandar um torpedo depois?”… “Já existe o GOOGLE?”.

As habilidades interpessoais, que de acordo com uma pesquisa realizada há alguns anos atrás são apontadas como responsáveis por mais de 80% do sucesso profissional já não são mais desenvolvidas como no passado. O número de pessoas deprimidas tem aumentado na mesma proporção do crescimento dessa realidade virtual.

Felizmente, a cegueira de nossos dias é voluntária e, portanto, controlável, contudo, a unica maneira de contermos o avanço dessa onda é nos elevarmos aos lugares mais altos, nadarmos contra a maré e não desistir. Não precisamos nos abster totalmente, mas não se pode discutir ser responsabilidade da nossa geração encontrar o meio que ajudará aqueles que nos sucederão a DESCONECTAR PARA CONECTAR.


domingo, 17 de abril de 2011

O que MAIS IMPORTA!?

Esse discurso foi proferido na Conferência Geral de Abril/2010 d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias.

Nossa vida é de fato repleta de desafios e alegrias. Precisamos a cada dia nos esforçar ao máximo para enfatizar os sucessos e realizações e minimizar os fracassos e sofrimentos. Sem dúvida nenhuma isso não é fácil de fazer, mas quando temos a perspectiva correta e entendemos por que estamos aqui podemos nos elevar acima das nuvens de escuridão que nos encobrem e vencer a mediocridade.

Uma ótima semana à todos... Que tenhamos uma ATITUDE positiva para com a vida e nosso próximo... Afinal... É isso que MAIS IMPORTA!

AQUELE ABRAÇO!

O Massacre da Mídia

Explosão Nuclear, Massacre de Inocentes, Saques à mão Armada, Bombas Explodindo... Não, não é o fim do mundo, são APENAS as PRINCIPAIS notícias de uma edição "regular" de um dos telejornais de maior audiência no Brasil.

Não há dúvida de que a mídia desempenha um papel importante na disseminação da informação, mas do que é que tem sido feita a programação dos nossos noticiários? E no final, o que fica? A solução do problema...? Não... Mas sim o medo, o desespero, o terror...

Recentemente assistimos perplexos uma das maiores atrocidades já cometidas em nosso país. Crianças, inocentes, no lugar certo, na hora certa entre as pessoas certas brutalmente assassinadas por um "louco" para dizer o mínimo.

Desde o ocorrido eu mesmo (que nem sequer tenho uma televisão funcionando em casa) assisti à duas reportagens sobre novos "atentados" em Santos e São Paulo. Emissoras disputam para apresentar "notícias", fotos e vídeos em primeira mão. Todas as revistas de grande circulação nacional estamparam capas vermelhas com a foto do assassino. Me assustei quando recebi no Twitter uma mensagem que dizia mais ou menos assim: "Hoje o Globo Esporte não será transmitido devido ao ocorrido no bairro do Realengo/RJ". Não entendi... Como já disse, nem sou de assistir televisão, mas a questão é: "Por que um programa esportivo (e poderia ser de qualquer outra coisa, moda, cultura, desenho etc...) é substituído pela cobertura de um massacre?" Depois de muito pensar e lutar contra a vontade de simplesmente atacar a mídia percebi que isso só acontece por um motivo... Por que NÓS queremos!

Não sei exatamente por que, mas no fundo no fundo existe algo que parece ser próprio do ser humano que o atrai para esse tipo de informação e conteúdo. Ainda que saibamos o quanto mal isso nos faz e principalmente aos mais jovens, falamos sobre isso nas escolas, nas rodas de amigos, no trabalho, em todo o lugar...

É um fato extremamente triste e desanimador, que nos mina a esperança de vivermos em paz num país tão belo e rico como é o Brasil. É um fato revoltante que nos corrói o espírito de raiva e indignação. Nos parte o coração e deprime a alma. Nos preocupa e torna o cotidiano algo sombrio. Nos faz sentir saudades dos tempos que nunca vivemos e nos enegrece a visão no fim do túnel. Por essas e muito mais é que me pergunto: POR QUE CONTINUAMOS FALANDO DESSES ASSUNTOS!?

Não há dúvida de que vivemos "tempos trabalhosos" (2 Timóteo 3:1) e por isso mesmo é que precisamos de uma dose cada vez maior de otimismo, de notícias boas e positivas. Não se pode vencer um desafio a menos que acreditemos que seja possível. E o desafio que temos diante de nós sem dúvida alguma é dos maiores já vistos na história da humanidade. Há mais de 2 séculos, no entanto, Charles Dickens em seu clássico "Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a idade da sabedoria, era a idade da tolice, era a época da , era a época da incredulidade, era a estação da luz, era a estação das trevas, era a primavera da esperança, era o inverno do desespero tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós..." (A Tale of Two Cities, (1859), Book the First, Chapter I).

Que recusemos a exposição exacerbada das desgraças e problemas que, por si só, nos assolam diariamente, que tenhamos a coragem moral de promover aquilo que é bom e dessa forma pavimentemos, ainda que seja APENAS de ESPERANÇA, o caminho daqueles que nos sucederão...

PS: Para os que gostarem de boas notícias, recomendo o blog:

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Alimentação"

Esse é o segundo de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Seguindo a ordem das necessidades como apresentadas no tópico da semana passada hoje é dia de falar sobre "ALIMENTAÇÃO".

É fato que em todas as épocas a alimentação foi uma necessidade, tal qual a moradia, primordial para a sobrevivência humana, no entanto, o tipo de esforço envolvido na satisfação dessa necessidade é que mudou consideravelmente. Pode-se dizer que grande parte dessa mudança deu-se a partir do século XVIII com a Revolução Industrial. Até então, as famílias plantavam grande parte de sua própria comida, consistindo no plantio e respectiva colheita o esforço necessário para sustentar um filho.

Mas com a industrialização muita coisa mudou. Descobriu-se que o homem poderia empregar sua força física e mental em outras tarefas que não a do plantio e colheita, passaram a designar essa tarefa, portanto, às maquinas. Não que essas não sejam um avanço, muito pelo contrário, mas esse mesmo avanço fez com que o homem retrocedesse quanto à sua consciência relativa aos hábitos alimentares que durante milênios desenvolveu. Em algo em torno de 2 séculos a humanidade simplesmente esqueceu aquilo que é "natural" e passou a conviver de forma extremamente amigável com o que é "artificial".

Mas as indústrias não se contentaram com o mero controle do processamento do "alimento da terra", elas passaram a prepará-lo. Surgiram com isso as grandes redes de restaurantes. Logo, seja por demanda social ou por meros interesses econômicos, foram desenvolvidos processos de otimização do tempo de preparo do alimento resultando no que hoje conhecemos como "FAST FOOD". Com tamanho controle não tardou muito até que as Indústrias começassem a produzir seu próprio alimento, surgem os biscoitos recheados, salgadinhos, empanados, refrigerantes e afins, a famosa "JUNK FOOD". Tudo, mais uma vez, como um processo de economização daquilo que a terra nos dá "livremente".

Não bastasse TUDO o que já foi mencionado, um sistema extremamente eficiente de publicização dos "novos" hábitos alimentares foi desenvolvido de modo a entrar de forma definitiva nos lares dos bilhões de pessoas que tem acesso à uma televisão. As crianças já não se interessam mais em comer legumes, mas não rejeitam um "Danoninho", torcem o nariz para comer arroz e feijão, mas não pensam duas vezes antes de abocanhar um "grande" "Big Mac", não tomam mais água vivendo à base de refresco em pó ou refrigerante. Não pode ser surpresa nenhuma o aumento grotesco no índice de doenças graves, em crianças, que passado eram praticamente exclusivas dos adultos.

A saúde, no entanto, não é o único aspecto da vida que tem sido afetado por esse sistema. Já não se vê em quase lugar algum a família reunida ao redor da mesa para se alimentar, já não se pode mais elogiar a comida da "mamãe", quem dirá a da "vovó". Muitos dos laços afetivos e memórias, que no passado eram criados ao redor da mesa de jantar hoje se resumem à convites para um ou outro almoço rápido no shopping ou um jantar no dia de Natal. O que esperar dos custos emocionais resultantes desse processo? É possível que sejam ainda muito maiores do que os financeiros.

Diante desse cenário, não posso discordar do fato que alimentar um filho seja realmente MUUUITO caro, porém, quem foi que disse que temos que dançar de acordo com "essa" música? Estou certo de que, mesmo diante das muitas limitações a nós impostas, podemos, ainda que minimamente e retornar às origens, escolher a ALIMENTAÇÃO NATURAL em detrimento da ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL.

domingo, 10 de abril de 2011

Inícios

Dizem que para um homem se realizar na vida ele precisa fazer 3 coisas: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Mesmo na infância fiz a minha tentativa de plantar uma aceroleira de uma muda presenteada pelo grande amigo Sérgio Martin e hoje aguardo meu primeiro herdeiro que está por nascer. Para compensar a coletânea de crônicas e poemas da adolescência perdida sem nunca ter sido publicada, tive a idéia de dar início à esse Blog e quem sabe no futuro compilar esses pensamentos em um livro de memórias.

Meu intuito é compartilhar alguns pontos de vista que, muito embora, não me sejam exclusivos, infelizmente não me parecem ser abordados com a frequência e abrangência merecidos. Uno, portanto, a minha "voz" às muitas no mundo de hoje que defendem aquilo que é bom e justo.

Pode ser que nem tudo o que eu venha a escrever seja 100% original, afinal de contas não quero me arvorar "inventor da roda", mas espero ser capaz de ir além e apresentar novas utilidades ao conhecimento existente assim como o grande anônimo que teve a brilhante idéia de lançar mão de 4 rodas e uní-las de modo a torná-las um veículo.

Espero poder contribuir e instigar a reflexão deixando esse espaço aberto às críticas e sugestões, que sempre serão MUITO BEM VINDAS.

Dessa forma, para todos os leitores e amigos... O já famoso:
AQUELE ABRAÇO!

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Moradia"

Esse é o primeiro de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Talvez à priori o leitor se pergunte o que tem a ver o tema desse post com o título do Blog. A ponderação sincera indicará um forte vínculo entre os temas.

Recentemente ministrava uma aula na qual falávamos da importância da política na sociedade e eventualmente o tópico voltou-se para a família. Expressei minha intenção de ter 7 filhos o que causou certo espanto entre os ouvintes, todos adultos, alguns bem jovens, outros mais velhos, todos extremamente inteligentes e bem preparados. Quase que automaticamente a questão voltou-se para o custo de se criar um filho. Para os que me conhecem, tenho uma visão bastante - para alguns otimista, para a maioria irresponsável - quando se trata de finanças, e no que diz respeito à filhos não poderia ser muito diferente. Somos frutos do meio, não há o que se discutir à esse respeito, e o meio em que cresci e as pessoas com quem convivi me mostraram que é possível, ainda que eu não fosse maduro o suficiente para entender como, termos famílias grandes sem que milhões sejam exigidos. Como mencionei, nunca soubera explicar de forma lógica como isso era/é possível, no entanto, nesse dia, de forma quase que automática algumas idéias me ocorreram para fazê-lo, assim surgiu a "Teoria dos Adjetivos".

A primeira grande preocupação de uma pessoa normal (enfatizo normal por que nesse sentido me considero anormal por simplesmente não conseguir me "preocupar") quando se trata de filhos é a estrutura necessária para a sua criação. Bem, isso me parece ser um padrão desde os primórdios da humanidade. Ainda que de formas diferentes, em praticamente todas as civilizações encontramos os seguintes elementos listados como essenciais à criação de um filho:
1. Moradia;
2. Alimentação;
3. Vestuário;
4. Saúde;
5. Educação;
6. Entretenimento;

Pois bem, quanto à isso creio que temos um consenso. A questão é que esses mesmo elementos, ainda que em todas as épocas necessários, não parecem ter impedido nossos antepassados de terem grandes famílias não é verdade? Por que nos impedem hoje? Tudo é culpa dos adjetivos. Comecemos com a "MORADIA".

Antigamente morava-se em cavernas, casas de palha, barro, madeira, alvenaria... Muitos foram os momentos em que a sociedade impôs padrões para a moradia. Até que chegamos ao momento em que mais do que um mero teto, precisamos de um quarto plenamente mobiliado para cada um dos filhos com tudo o que se tem "direito". Cada nascimento é acompanhado pela obrigação de uma reforma e/ou renovação de cômodos, móveis e afins. Muitos defendem que essa "preparação" faz com que a criança se sinta amada e bem recebida. Bem... Não sei vocês, mas eu simplesmente não consigo lembrar se meu berço era branco, amarelo, novo, usado, inteiro, quebrado, ou se sequer tive um. Não me vem a memória se o quarto fora pintado, reformado ou se ao menos me era exclusivo. Não me recordo de ter um guarda roupa combinando com o abajur, que por sua vez combinava com a cômoda que fazia par com a cama. Confesso que no fundo não me lembro de NADA! Então por que nos preocupamos tanto com isso?

Existe uma necessidade inerente ao ser humano de ser aceito por aqueles com quem convive, porém, para que isso aconteça, muitas vezes você precisa acompanhar o grupo. O grupo a que pertencemos hoje é um grupo bajulador, consumista e copiador. Muito do que possuímos não possuímos por necessidade, muitas vezes sequer por desejo, mas sim por que outros possuem. Além dessa realidade, sofremos da síndrome da necessidade de agradar/impressionar muitos daqueles que sequer conhecemos. Essa cultura tem sido incutida em nossa mente ao longo da história, de modo que quase não percebemos, apenas seguimos. Essa tendência nos leva a acreditar que tudo o que buscamos é na verdade o mínimo, ainda que esse mesmo mínimo em épocas passadas fosse muito menos exigente. Dessa forma, a necessidade que outrora tinha o intuito de proteger das intempéries, de predadores e outras ameaças basicamente físicas passou a ter o intuito de ostentar e diferenciar. Essa é a marca da sociedade como constituída atualmente. Ainda que diversas outras variáveis possam ser discutidas, cada qual com seus méritos, a mera necessidade de uma "moradia", termo objetivo, de simples compreensão e interpretação, passou a ter uma carga extremamente subjetiva e volitiva ao ser redefinida como moradia CONFORTÁVEL.

O velho "pedacinho do céu" que antes era construído com extremo esforço por cada um, hoje, ainda que ilusóriamente, mesmo antes da formação da família, pode ser "adquirido" em até 24 vezes no carnê. Não me surpreende o fato de termos tantos filhos/jovens infelizes, revoltados e deprimidos "cobertos" por um conforto sequer sonhado por aqueles que os antecederam.