Já pensou em viver em um mundo onde a mentira simplesmente não existe? Já pensou em como seria uma sociedade assim? Bem, essa foi a proposta de Ricky Gervais em sua bela obra "The Invention of Lying" (O Primeiro Mentiroso).
O filme possui uma beleza muito peculiar, algo que toca e chama a atenção para muitas das características e comportamentos mais "naturais" da humanidade. Uma "película" que vale a pena assistir e sobre a qual vale a pena refletir... E é basicamente esse exercício de reflexão que compartilho com vocês.
Ao procurar uma imagem para expressar a idéia desse post me deparei com a que esta acima e ela simplesmente me atingiu como um soco no estômago: "A Verdade Mente". Na verdade vivemos em uma sociedade hipócrita que clama pela verdade quando simplesmente não consegue/sabe lidar com ela. Nos iludimos dizendo para os outros que esperamos honestidade quando na verdade tudo o que queremos é ser agradados, ou seja queremos "verdades mentirosas".
Esse debate, no entanto, não é nada recente. No passado filmes como "O Mentiroso" de Jim Carey ou mesmo o quadro do Fantástico "O Super Sincero" nos mostram quão mal lidamos com a opinião e pensamento alheios e quão difícil é para nós termos apontadas nossas falhas e limitações, dessa forma que saída há que não criarmos uma realidade paralela em que somos educados a fazer aquilo que nos acostumamos a chamar: "politicamente corretos"? A grande armadilha dessa escolha reside na subjetividade desse conceito, que em diversos momentos e para diversos sujeitos assumiu contornos completamente diferentes na história e mesmo hoje em dia, tudo porque somos ensinados a "fazer" e não "ser" "zoon politikon" ("animal político" para os antigos gregos).
Com isso andamos na corda bamba, pois, ainda que a mentira, diferentemente do filme, esteja entre nós desde os primórdios da humanidade, não aprendemos a lidar com ela apropriadamente, podemos fazê-lo por algum tempo, mas no final, ainda que no final MESMO, desabamos e de um jeito ou de outro acabamos por desvelar quem realmente somos e aquilo que realmente pensamos ou sentimos, talvez porque tudo o que temos que fazer não é aprender a lidar com a mentira, mas sim a lidar com nós mesmos.
Aquele Abraço!
