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domingo, 29 de maio de 2011

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Educação"

Esse é o quinto de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Sem dúvida essa me parece ser uma época bastante apropriada para escrever sobre Educação. Vimos, recentemente, uma das manifestações mais pungentes da última década sobre esse assunto. Quando o vídeo da Professora Amanda Gurgel foi compartilhado por intelectuais e celebridades, logo a Educação voltou a ser o tema das rodas de amigos, seja em casa, na universidade e até mesmo no bar. E talvez seja justamente esse o erro: voltou a ser tema de discussão dessas rodas.

Quando se fala em filhos, uma das mais sérias preocupações de pais, avós e mesmo da sociedade é justamente a questão da Educação, e não poderia ser diferente, afinal, é a Educação que determina, em grande parte, nosso nível de sucesso profissional, social, familiar e muitas vezes mesmo pessoal. Estou convencido, no entanto que, a maneira como essa preocupação se manifesta é o cerne do problema educacional do Brasil.

Há algumas décadas o estudo era mesmo um privilégio de poucos. A falta de estrutura, tecnologia entre outros motivos dificultavam em demasia o acesso à educação básica; ainda assim muito pais faziam um enorme esforço para que os filhos tivessem acesso à algo que sua geração sequer havia imaginado existir. Hoje certamente não é muito diferente. Fazemos grandes esforços para que nossos filhos tenham acesso aquilo que de melhor podem ter nessa época, a Educação. O grande detalhe, é a maneira como nos esforçamos hoje, em contraposição à maneira como nossos pais se esforçaram no passado.

Em nossa época é muito mais fácil fazer hora extra para pagar uma boa escola particular do que acordar de madrugada para buscar uma vaga em uma boa escola pública. É muito mais fácil trabalhar no final de semana para pagar um reforço do que dedicar um tempo para fazer os exercícios de matemática com nosso filho. Muito mais fácil levar trabalho para casa à noite do que levar o filho para a escola pela manhã. É mais fácil participar de uma reunião de negócios do que participar da Reunião de Pais e Mestres (se é que isso ainda existe... :S)... Ou seja, mais fácil é "comprar" do que "prover" educação. Dessa forma não há como negar que o custo para se educar uma criança se exorbita a ponto de desanimar até mesmo os mais otimistas.

Nesse cenário muitos pode argüir que no passado era diferente e a escola pública era de melhor qualidade, e pode ser mesmo que fosse, mas por que deixou de ser hoje... Sim... Culpa dos políticos!? Ou talvez do capitalismo...? Que tal dos professores não comprometidos...? Certamente culpa de qualquer um menos minha e sua não é!?

Essa semana recebi alguns convites para participar de uma manifestação pela Educação... Certo é que participarei, mas manifestação alguma funcionará a menos que abandonemos nossa inércia, hipocrisia e preguiça e lutemos por aquilo que nos é constitucionalmente garantido... EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE! E que, na pior de todas as hipóteses, sejamos nós mesmos essa educação de qualidade, em nossos lares e comunidades, deixando para trás a segurança efêmera de que, para ser satisfatória EDUCAÇÃO tem que ser PRIVADA!

domingo, 8 de maio de 2011

Inércia Mental

A imagem ao lado ilustra de forma clara a situação que vivemos hoje. Essa semana assistimos à uma decisão que, certamente mudará os rumos da sociedade. O STF, por unanimidade, decidiu por equiparar a união homoafetiva à união estável entre homem e mulher, concedendo aos casais homoafetivos 111 novos direitos, mantendo-os privados, na esfera familiar, de apenas um direito, o do casamento civil.

Como muitos defendem, e de certa forma, ainda que contrário à algumas, eu aceito que a sociedade esteja em constante transformação. O que me preocupa, contudo, é assistir à tantas pessoas tentando de todas as formas atravessar o labirinto da vida de olhos vendados.

Justamente quanto à essa questão da união homoafetiva, na escola onde trabalho, questionei diversos instrutores. Não poderia ter-me surpreendido mais. Ouvi desde: "Sou contra e PONTO, não me interesso pelo que as pessoas pensam!" até: "Para mim não faz diferença", passando é claro pelos: "Sou a favor". Confesso que, independente da minha posição ideológica, não é o fato de alguns terem se manifestado a favor ou contra que me assustou, mas sim o fato de a maioria ter-se demonstrado alheia à questão, e àqueles que se posicionaram, fosse de um lado ou de outro, não terem qualquer fundamentação para seu posicionamento. É essa atitude um dos maiores obstáculos para o crescimento e desenvolvimento do nosso país.

Vivemos uma época complexa, é certo, onde temos inúmeras preocupações e responsabilidades, porém independente de qualquer coisa, não podemos nos isentar de cuidar daquilo que deve permear nossa existência, nossas crenças e ideologias, que são as próprias lentes através das quais vemos o que nos rodeia. É dessa crise que padecemos nos dias atuais.

Já há mais de 2 décadas cantava Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver..." Hoje no entanto, nos furtamos desse privilégio e das experiências que com ele poderíamos desenvolver. Nos tornamos uma sociedade extremamente volátil. Nossa maior preocupação é favorecer-nos em detrimento de qualquer outra coisa, oxalá, pelo menos fosse essa preocupação não meramente financeira mas também social.

Platão, não sem razão, defendia em sua "República" que o Estado deveria ser governado pelos Filósofos, por serem eles, em essência, os únicos capazes de dedicarem-se de forma exclusiva ao pensamento introspectivo e especulativo, sendo esse esforço o único capaz de promover políticas justas e corretas. Talvez não tenhamos a intenção de governar um Estado, seja federal ou federado, uma cidade, ou sequer uma família. Mas não podemos nos furtar à responsabilidade, de, na pior das hipóteses, governar nossa própria vida!

Se não nos despertarmos, vejo o dia em que essa praga se alastrará de tal forma que não viveremos mais em sociedade, mas sim em isolamento, apenas retwittando, comentando e/ou meramente "curtindo" o que acontece com pessoas que já não mais conhecemos e sobre tópicos que sequer compreendemos.

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Saúde"


Esse é o quarto, de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Depois das experiências das últimas duas semanas acredito ter alguma condição para falar um pouco sobre esse assunto, que hoje é tão discutido.

Nos últimos 10 dias tive DOIS filhos. O primeiro nasceu de parto cesariana e o segundo nasceu de parto natural. O primeiro nasceu em um Hospital Particular e o segundo foi tratado em um Hospital Público. O primeiro foi meu primogênito - Ramoñ Jr. - e o segundo foi meu cálculo renal. :D

Não há o que se discutir com relação à qualidade da saúde pública no Brasil. É um caos, é uma bagunça, é uma irresponsabilidade, é um descaso e muito mais. Concordo com tudo isso, porém estou convencido que todos esses adjetivos supracitados não se referem mais à saúde pública do que à própria população. Para verificar essa verdade é só visitar o sistema de saúde de algumas cidades do país. Eu, que já vivi em algumas, não posso negar as diferenças grotescas, não só na qualidade do atendimento como na educação dos atendidos.

No passado tudo era muito mais simples, mais rústico, mais caseiro e manual. Hoje não se faz mais nada como antigamente. Muito do conhecimento do passado foi perdido e/ou substituído por um conhecimento que hoje, ainda muitas vezes, falha mais do que deveria. O resultado desse fenômeno é uma dependência absurda do sistema de saúde. É só você visitar um hospital ou falar com um médico plantonista que você entenderá o que quero dizer. Pessoas vão à emergência dos hospitais com as queixas mais "esdrúxulas" possíveis. As vezes é uma dor de cabeça, as vezes uma pequena dor de dente, as vezes só para não ficar em casa. Isso só faz aumentar o tempo de espera e reduzir a qualidade dos atendimentos, levando à um abarrotamento desnecessário do sistema. É como a velha história dos 3 porquinhos. De tanto um dos deles mentir quanto à aparição do lobo, quando este, de fato espreitou-se, os outros não acreditaram. Chegamos ao ponto, então, de precisar convencer um médico de emergência que estamos MESMO passando mal, bem como aconteceu comigo quando da passagem do meu cálculo duas semanas atrás. Agora, me pergunte se eu me revolto por isso. Não consigo! Como me revoltar contra um sistema que mal contribuo para melhorar. Impostos são o mínimo que podemos fazer para contribuir com a melhora da sociedade. Um Estado não se faz apenas de dinheiro. Se fôssemos mais honestos e socialmente ativos, tenho a impressão de que nossa carga tributária não seria tão grande bem como o serviço público seria de melhor qualidade. Ainda que essa reflexão não justifique a inércia Estatal, que se apresenta muitas vezes, se seriamente analisada, aliviaria muito alguns dos gargalos da saúde pública em nosso país.

Moro em uma cidade que é referência turística do Brasil. Uma cidade que foi escolhida como uma das sedes da Copa 2014. Uma cidade que tem um potencial único na região. Uma cidade que tem belezas naturais incomparáveis. Ainda assim uma cidade onde impera o caos da saúde. Entra governo, sai governo e pouco acontece, muito menos ainda muda.

É fato que o poder público negligencia DEMAIS essa área, mas forço-me a dizer que novamente a culpa é NOSSA! Quando foi a última vez que você ou eu nos dirigimos à Prefeitura, Governadoria e/ou Planalto para, de forma organizada e sóbria, fazer uma reclamação e posterior acompanhamento quanto à essa questão? Talvez você diga que uma andorinha só não faz verão, e sou forçado a concordar, mas nunca foi essa a proposta. A questão é que somos extremamente acomodados, e principalmente quando se trata de saúde, onde o tempo que passamos doentes tende a ser sempre muito menor do que o tempo que passamos saudáveis.

A solução que nós, povo acomodado encontrou, foi simplesmente ignorar todos esses fatos e ceder à sedução do sistema capitalista que promete vender-nos uma saúde "MUITO" melhor por um preço meramente simbólico diante da importância daquilo que buscamos. Minha crítica hoje não visa provar que podemos economizar em saúde - por que, fato é, NÃO PODEMOS - mas sim conduzir à uma reflexão quanto à nossa parcela de responsabilidade nesse problema que certamente, com o nível de envolvimento da sociedade atual, não se resolverá tão cedo. Com isso não há muito o que se fazer, senão "vender saúde" (hora extra, levar trabalho para casa e etc) para, seja para nós ou nossos filhos, "comprar PLANO DE SAÚDE".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Milagre da Paternidade!

Já vai fazer duas semanas que Ramoñ Jr. nasceu e eu com esse post para escrever. :D

Que experiência maravilhosa tem sido. Desde o momento que vi, pela primeira vez aquele cabeção cheio de cabelo eu sabia que minha vida ia mudar. E como tem mudado.

Durante toda a vida, especialmente como um rapaz, eu ouvia meus amigos mais velhos falando da experiência de ser pai e como era bom. Por muito tempo eu sequer gostava de crianças. Bastaram 2 anos como Missionário de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nos pampas Gaúchos para fazer a primeira grande mudança no meu coração. A cada dia que passava eu apreciava mais e mais a companhia desses anjos recém chegados da presença do Pai Celestial. Foi aí que eu tomei a decisão de ter MUUUUITOS filhos. Encontrei uma outra doida que tivesse o mesmo desejo e logo nos casamos. Um ano se passou e quando veio a notícia eu não acreditei... LITERALMENTE! Conhece a história do porquinho brincando que o lobo estava chegando...? Pois bem, minha esposa por várias vezes brincou com a gravidez, e quando o menino foi mesmo concebido eu não levei à sério. Fui descobrir no dia seguinte por meio de uma mensagem eletrônica de congratulações da minha sogra... UAHuAHuAHuHAU

Mais de 9 meses se passaram até que o dia chegou. Estávamos todos ansiosos, entendíamos a importância de um parto normal para a realização do nosso desejo de ter 5-7 filhos. Grande foi a nossa tristeza e lágrimas molharam nossos olhos quando já não havia outra saída senão a cirurgia. Nos sentimos profundamente gratos e felizes, no entanto, pelo rapaz saudável e de pés e mãos gigantescos com o qual fomos abençoados.

Todo mundo dizia que depois do primeiro eu mudaria minha opinião sobre ter muitos filhos. Sinto frustrá-los, mas a cada dia que passa, a cada noite que eu acordo, a cada fralda trocada eu só consigo sentir mais alegria e desejo de trazer à Terra os filhos espirituais do Pai Celestial que já nos foram designados, e quem sabe alguns mais.... \o/

Alguns talvez pensem que seja falsidade, mas como posso reclamar com tantas bênçãos? Muitos temem ter filhos por causa do "trabalho" que dão, acordando no meio da noite, eventualmente adoecendo e etc. Mas quantas e quantas vezes passamos a noite em claro em uma balada, assistindo a um filme, brincando com os amigos e etc? E o que ganhamos com isso? As mesmas olheiras, dores de cabeça, sonolência que ganhamos ao criar um filho que, se bem educado, nos trará as maiores alegrias da vida. As vezes as pessoas me perguntam se meu filho incomoda só para ouvirem a resposta animada: "O que? Só come e dorme o 'minino'!" Ainda que por vezes me vejam dando uma ou outra pescada em uma reunião da Igreja ou mesmo do trabalho, não consigo pensar diferente.

Na verdade eu me pergunto? Será que isso é mesmo incomodar? Somos tão egoístas! Estou certo de que poucas coisas na vida podem nos transformar nesse sentido como a chegada de um filho. Esse, portanto, é o maior de todos os milagres que nos acontece nessa época especial, essa transformação, essa mudança, que nos faz melhores, mais felizes e confiantes. E por essas e muitas outras razões que levanto os braços em direção aos céus e agradeço por esse milagre, O MILAGRE DA PATERNIDADE!