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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Crônicas de Indianápolis - Diferenças Raciais, Diferenças Culturais

Todo mundo sabe da miscigenação de raças no Brasil. Desde crianças ouvimos a respeito da história de praticamente todos os que contribuiram para a composição da nação brasileira, e não foram poucos, mas na verdade não sei se entendemos bem o que isso significa e o quanto isso é importante. Indianápolis, de acordo com o senso americano é uma cidade predominantemente branca, contudo não foi isso que nos pareceu, não pelo menos no transporte público. Estou certo de que a minha presença e de meu amigo com cara de russo (=D) aumentou significativamente as estatísticas de brancos utilizando o transporte público. Foi para mim ao mesmo tempo algo assustador e triste. Nas ruas carros de todos os tipos e marcas, todos grandes, potentes e velozes. Dentro deles, a predominância racial se inverte e o que se vê são brancos confortávelmente guiando seus possantes, enquanto negros esperam que o ônibus cumpra seu horário para não se atrasarem para o trabalho. Diante disso confesso que, por mais que ainda tenhamos muito o que melhorar, e TEMOS, somos um povo abençoado que de certa forma compartilha os desafios e sucessos da vida sejamos brancos, pretos, amarelos, marrons ou cor-de-rosa.

Isso me fez pensar a respeito da importância de valorizarmos nossas origens, de respeitarmos o outro e continuarmos a lutar pela igualdade plena, como nossa Constituição visa garantir ao afirmar sermos TODOS iguais.

No que tange a atividade profissional, pouco mudou, por sinal tivemos 3 experiências bastante relevantes. No 2o dia queríamos ir ao Wal Mart para comprar "Doughnuts", "Peanut Butter" e outras raras iguarias as quais temos pouco ou quase nenhum acesso em terras tupiniquins. Para nosso assombro, no entanto, não havia UM Wal Mart sequer no centro da cidade, e o mais próximo nos custou de ônibus algo em torno de 2 horas com a espera na transferência entre linhas. Mas ao buscarmos informações sobre quais linhas poderiam nos levar, descobrimos que a 19 e 17 nos levaria até onde poderíamos pegar o 26 e então chegar ao "paraíso das baganas". Acontece que ao nos depararmos com o ônibus da linha 17 questionamos o motorista por confirmação e ele negou, com cara de "pouco amigos", dando-nos orientações diferentes. Descemos, mas preferimos esperar o 19, que de fato nos levou até onde precisavamos chegar. Durante a "viagem" conversamos com o motorista que foi SUPER GENTE FINA, contou-nos histórias sobre a cidade, compartilhou suas preferências por quadrinhos quando comentamos que estávamos participando de uma Convenção de Games e nos deu todas as instruções para chegarmos ao nosso destino. Até mesmo meu amigo que quase não fala Inglês se animou e "trocou uma idéia" com o tal motorista. Ao chegarmos no ponto para pegar o 26, 5 minutos depois aparece um 17, exatamente aquele que nos foi dito não passar na região pelo 1o motorista. =/ Depois de um bom tempo chegamos ao Wal Mart (ressalte-se que eram 21:00h e ainda o sol brilhava...=D vide foto acima). Infelizmente ao terminarmos as compras não haviam mais ônibus que nos levasse para o Hotel e tivemos que tomar um taxi. Conhecemos um novo motorista e tivemos uma conversa bastante "agradável", tão agradável que o fez estender a viagem quase como se fosse um tour pela cidade, o que nos fez ter de pagar praticamente o dobro da corrida que deveríamos ter pago caso tivéssemos ido pelo caminho que depois entendemos seria o correto. O que tudo isso tem a ver com raças? O 1o motorista era branco (o único que conhecemos em 5 dias), o 2o era negro (como os outros 99%) e o 3o era branco (outra raridade). As minhas conclusões não foram muito diferentes das que qualquer outra pessoa poderia chegar. =/

Enfim, descobri que mesmo diante de tão grosseira divisão, aqueles menos favorecidos pareciam felizes e eram extremamente simpáticos. Meu coração "soul" bateu forte, e mais do que nunca tive a certeza de que nasci um pouco mais claro do que deveria... =D
Aquele Abraço...


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