Ontem tive a oportunidade de assistir na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) a um debate entre 3 dos principais candidatos a prefeito de Natal, Fernando Mineiro (PT), Hermano Moraes (PMDB) e Robério Paulino (PSOL). Sou um simpatizante declarado do PT, desde muito cedo, ainda que meus pais não fossem muito "políticos" aprendi a admirar o ex-Presidente Lula e a causa "trabalhista". Confesso que estava animado para assistir a um debate onde o candidato do PT apresentasse propostas concretas e que me dessem uma tranquilidade ainda maior de votar no "13", infelizmente o que vi e ouvi foi nada mais do que aquilo que já estamos acostumados a ouvir em todo e qualquer debate político... NADA! Surpreendeu-me no entanto a posição de um candidato que, por mais que Professor da Universidade a qual pertenço nunca antes ouvira falar... Bastou-me 3 dos 5 blocos para decidir em quem votaria para as eleições municipais de 2012.
A questão aqui, no entanto, não é declarar quem receberá meu voto ou coisa do gênero, essa é uma questão pessoal e ainda que me sinta confortável em compartilhar não interessa a todos. Meu ponto e minha preocupação se baseiam na maneira como a quase totalidade dos candidatos a cargos políticos (não) apresentam suas propostas. Uma frase que me revoltava a cada vez que era dita durante o debate era: "Vamos fazer um governo participativo..." Não que a idéia não seja boa, mas será que alguém pode me explicar "COMO" se pretende fazer isso? É o império do "O QUE" fazer sem qualquer complementação do "COMO", que é justamente o que interessa.
Outro ABSURDO na minha opinião é a disputa velada de quem tem mais conhecimento a respeito de dados, gráficos e histórico. As vezes parece que passaram meses se preparando para um mero concurso público, tudo na ponta da língua como que por uma estratégia de impressionar os ouvintes, quando na verdade qualquer pessoa com meio cérebro entende que dados por si só não significam muita coisa. Um exemplo claro é a questão do lixo em Natal, quem é que não sabe que é um problema GRAVE. Aí depois de muito atacar o problema candidatos concluem: "Farei diferente..." "Limparemos a Cidade..." e coisas do gênero.
Na contramão dessa atitude simplesmente informacionista estão aqueles candidatos de partidos menos representativos, que de forma exatamente oposta apresentam, ainda que por vezes de maneira quase cômica, todo o tipo de solução "concreta" para os problemas. O que me pergunto é porque eles o fazem enquanto aqueles de coligações com maiores possibilidades flagrantemente se negam? Existe muito da política que não temos acesso ou não entendemos, e grande parte disso acredito passar pelo financiamento de campanhas e alianças. São simplesmente MUITOS interesses conflitantes em jogo. Temos a ilusão de que temos 3, 4, 5 candidatos, quando na verdade por trás deles existem DEZENAS de legendas que só encontram sua razão de ser na contraposição de idéias umas das outras. Diante desse quadro fica fácil deduzir o preço de aglutiná-las sob uma única bandeira em época de eleição... um preço que pagamos durante 4 anos de mandato.
Em face desse cenário me pergunto se é realmente estável e eficiente o sistema política TÃO difuso que temos no Brasil, que mais divide do que separa. Sem apologias extremistas, recentemente vi um debate entre alguns amigos americanos por meio de uma rede social e me senti obrigado a externar meu espanto pelo nível das discussões que travavam. Sem dúvida alguma isso só é possível pela menor diversidade, ainda que com maior objetividade, das propostas, uma vez serem apenas DOIS partidos disputando UM cargo. Já em terras tupiniquins temos 1 ZILHÃO de partidos, cada um com uma proposta que se diferencia do outro por UMA VÍRGULA e que acaba legando ao eleitorado uma tarefa praticamente IMPOSSÍVEL, que seria a de conhecer o plano de governo e/ou propostas de CADA candidato e correspondentes legendas aliadas para melhor avaliar em quem votar. Isso me leva a questionar mais uma vez a possibilidade de abuso mesmo do Direito Fundamental à Liberdade de Expressão Política, uma vez que por essas bandas somos tão incapazes de argumentar e chegar a um senso comum, que nos é simplesmente mais fácil diante de divergência romper e criar um novo partido e uma nova dor de cabeça para a sociedade.
Por fim o que se vê são candidatos FRAQUÍSSIMOS do ponto de vista político com ampla vantagem diante de outros flagrantemente melhor preparados mas que NUNCA ganharão uma eleição pelo simples fato de serem desconhecidos em face de caciques e coronéis da política local e nacional. Uma triste realidade que mais parece um ciclo vicioso... Como romper!?
Aquele Abraço!
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