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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Perdendo Direitos!


Posso ser pai de primeira viagem, mas não me sinto nem um pouco perdido ou confuso quando se trata de educação e ou orientação de filhos. Talvez isso se deva aos excelentes exemplos que tive no decorrer da minha vida, meus pais, amigos, líderes da Igreja dentre outros. Não pressuponho ser um pai perfeito, mas não nego ter prazer na paternidade, o que me permite ter um olhar mais atento e cuidadoso aos pequenos detalhes da criação do meu pequeno bolseiro, que em breve receberá uma bolseirinha para acompanha-lo em suas aventuras.

Nas minhas observações e ponderações a respeito da pedagogia que é aplicada na educação de crianças tanto no passado quanto no presente, cheguei a uma, dentre várias conclusões que tem me perturbado sobremaneira nas últimas semanas. 

Não há que se discutir que crianças são seres angelicais, ainda que “diabólicas” que são enviadas a Terra para crescer e aprender através dessa experiência mortal. Nós como pais somos responsáveis por auxiliá-las nos primeiros passos e no lançamento das fundações de seu caráter, algo que as acompanhará por toda a vida. Diante dessa preocupação muitas técnicas e métodos de ensino são aplicados: palmadas, castigos, premiações, suborno, chantagem emocional, assédio moral e etc...

Uma dessas técnicas que mais tem me incomodado nos últimos tempos é justamente a que por muitos é defendida na intenção de substituir a “palmada”, a história do “castigo”, ou como outros chamam, “perder o direito”. Cada dia que passa essa “pedagogia” que já vi ser aplicada em ESCOLAS (privadas, particulares, PAGAS) faz menos sentido para mim, ora, você vira para a criança e em outras palavras diz:

“Se você NÃO fizer algo que EU quero, você NÃO terá direito de fazer algo que VOCÊ quer...”

O problema dessa “pedagogia” começa justamente com o fato de a maioria dos pais presumirem ERRÔNEAMENTE aquilo que a criança quer, afinal de contas, desde quando criança tem que ter vontade não é? Esse é um dos grandes indícios da Ditadura Absolutista dos Pais.

O que me impressiona MUITO é que esse tipo de abordagem é aplicada em crianças mesmo de 1, 2 ou 3 anos de idade, cuja memória é mais curta do que uma cabeça de fósforo. Aí o pai/mãe vira para o filho/filha e diz: “Se você NÃO tomar banho AGORA (afinal só quem sabe a hora certa de fazer as coisas são os pais) você NÃO vai poder assistir TV..”A criança chora, esperneia e o pai/mãe contrariados sentenciam: “Você perdeu o direito...”EXCELENTE... 5 minutos depois a criança está ligando a TV e levando uma palmada ou uma bronca DAQUELAS sem sequer saber a razão... Os pais com excelente razoabilidade viram para o infante e dizem: “Lembra que... bla bla bla bla... (sim, é isso que eles ouvem...)” No final todo mundo se contraria e lição nenhuma é ensinada/apreendida.

Quão melhor não seria se numa situação semelhante utilizássemos a fórmula:

“Se você fizer algo que eu quero, você poderá fazer algo que você quer...”

Peraí! Quantos “nãos existem nessa frase? Sim, NENHUM! Essa abordagem premia um comportamento adequado e mostra que recompensas dependem de um preço... Ou seja, ao invés de ameaçado de PERDER, a criança é ameaçada a GANHAR alguma coisa... Será que isso faz alguma diferença?

Na minha humilde experiência isso desenvolve uma capacidade de decisão muito maior e uma maturidade muito mais apurada nas crianças. Elas são tratadas como iguais, assim como fazemos com QUALQUER negociação com um par,  afinal de contas ninguém chega para o chefe no trabalho e ameaça: “Se você NÃO me der um aumento eu NÃO venho trabalhar mais...” ou faz? Diferentemente “oferecemos”: “Se você me der uma aumento eu vou trabalhar melhor e produzir mais...”

Por fim, é esse conceito de par que deve ser trabalhado melhor em nossa sociedade, eliminando essa visão de crianças inferiores e objetos a serem manipulados para elevá-las a uma posição mais adequada a sua natureza divina.

Aquele Abraço!

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