
Posso ser pai de primeira viagem, mas não me sinto nem um
pouco perdido ou confuso quando se trata de educação e ou orientação de filhos.
Talvez isso se deva aos excelentes exemplos que tive no decorrer da minha vida,
meus pais, amigos, líderes da Igreja dentre outros. Não pressuponho ser um pai
perfeito, mas não nego ter prazer na paternidade, o que me permite ter um olhar
mais atento e cuidadoso aos pequenos detalhes da criação do meu pequeno
bolseiro, que em breve receberá uma bolseirinha para acompanha-lo em suas
aventuras.
Nas minhas observações e ponderações a respeito da
pedagogia que é aplicada na educação de crianças tanto no passado quanto no
presente, cheguei a uma, dentre várias conclusões que tem me perturbado
sobremaneira nas últimas semanas.
Não há que se discutir que crianças são seres angelicais,
ainda que “diabólicas” que são enviadas a Terra para crescer e aprender através
dessa experiência mortal. Nós como pais somos responsáveis por auxiliá-las nos
primeiros passos e no lançamento das fundações de seu caráter, algo que as
acompanhará por toda a vida. Diante dessa preocupação muitas técnicas e métodos
de ensino são aplicados: palmadas, castigos, premiações, suborno, chantagem
emocional, assédio moral e etc...
Uma dessas técnicas que mais tem me incomodado nos últimos
tempos é justamente a que por muitos é defendida na intenção de substituir a
“palmada”, a história do “castigo”, ou como outros chamam, “perder o direito”.
Cada dia que passa essa “pedagogia” que já vi ser aplicada em ESCOLAS
(privadas, particulares, PAGAS) faz menos sentido para mim, ora, você vira para
a criança e em outras palavras diz:
“Se você NÃO fizer
algo que EU quero, você NÃO terá direito de fazer algo que VOCÊ quer...”
O problema dessa “pedagogia” começa
justamente com o fato de a maioria dos pais presumirem ERRÔNEAMENTE aquilo que
a criança quer, afinal de contas, desde quando criança tem que ter vontade não
é? Esse é um dos grandes indícios da Ditadura Absolutista dos Pais.
O que me impressiona MUITO é que
esse tipo de abordagem é aplicada em crianças mesmo de 1, 2 ou 3 anos de idade,
cuja memória é mais curta do que uma cabeça de fósforo. Aí o pai/mãe vira para
o filho/filha e diz: “Se você NÃO tomar banho AGORA (afinal só quem sabe a hora
certa de fazer as coisas são os pais) você NÃO vai poder assistir TV..”A
criança chora, esperneia e o pai/mãe contrariados sentenciam: “Você perdeu o
direito...”EXCELENTE... 5 minutos depois a criança está ligando a TV e levando
uma palmada ou uma bronca DAQUELAS sem sequer saber a razão... Os pais com
excelente razoabilidade viram para o infante e dizem: “Lembra que... bla bla
bla bla... (sim, é isso que eles ouvem...)” No final todo mundo se contraria e
lição nenhuma é ensinada/apreendida.
Quão melhor não seria se numa
situação semelhante utilizássemos a fórmula:
“Se você fizer algo
que eu quero, você poderá fazer algo que você quer...”
Peraí! Quantos “nãos existem nessa
frase? Sim, NENHUM! Essa abordagem premia um comportamento adequado e mostra
que recompensas dependem de um preço... Ou seja, ao invés de ameaçado de
PERDER, a criança é ameaçada a GANHAR alguma coisa... Será que isso faz alguma
diferença?
Na minha humilde experiência isso
desenvolve uma capacidade de decisão muito maior e uma maturidade muito mais
apurada nas crianças. Elas são tratadas como iguais, assim como fazemos com
QUALQUER negociação com um par, afinal
de contas ninguém chega para o chefe no trabalho e ameaça: “Se você NÃO me der
um aumento eu NÃO venho trabalhar mais...” ou faz? Diferentemente “oferecemos”:
“Se você me der uma aumento eu vou trabalhar melhor e produzir mais...”
Por fim, é esse conceito de par que
deve ser trabalhado melhor em nossa sociedade, eliminando essa visão de
crianças inferiores e objetos a serem manipulados para elevá-las a uma posição
mais adequada a sua natureza divina.
Aquele Abraço!
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