
Esse é o quarto, de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.
Depois das experiências das últimas duas semanas acredito ter alguma condição para falar um pouco sobre esse assunto, que hoje é tão discutido.
Nos últimos 10 dias tive DOIS filhos. O primeiro nasceu de parto cesariana e o segundo nasceu de parto natural. O primeiro nasceu em um Hospital Particular e o segundo foi tratado em um Hospital Público. O primeiro foi meu primogênito - Ramoñ Jr. - e o segundo foi meu cálculo renal. :D
Não há o que se discutir com relação à qualidade da saúde pública no Brasil. É um caos, é uma bagunça, é uma irresponsabilidade, é um descaso e muito mais. Concordo com tudo isso, porém estou convencido que todos esses adjetivos supracitados não se referem mais à saúde pública do que à própria população. Para verificar essa verdade é só visitar o sistema de saúde de algumas cidades do país. Eu, que já vivi em algumas, não posso negar as diferenças grotescas, não só na qualidade do atendimento como na educação dos atendidos.
No passado tudo era muito mais simples, mais rústico, mais caseiro e manual. Hoje não se faz mais nada como antigamente. Muito do conhecimento do passado foi perdido e/ou substituído por um conhecimento que hoje, ainda muitas vezes, falha mais do que deveria. O resultado desse fenômeno é uma dependência absurda do sistema de saúde. É só você visitar um hospital ou falar com um médico plantonista que você entenderá o que quero dizer. Pessoas vão à emergência dos hospitais com as queixas mais "esdrúxulas" possíveis. As vezes é uma dor de cabeça, as vezes uma pequena dor de dente, as vezes só para não ficar em casa. Isso só faz aumentar o tempo de espera e reduzir a qualidade dos atendimentos, levando à um abarrotamento desnecessário do sistema. É como a velha história dos 3 porquinhos. De tanto um dos deles mentir quanto à aparição do lobo, quando este, de fato espreitou-se, os outros não acreditaram. Chegamos ao ponto, então, de precisar convencer um médico de emergência que estamos MESMO passando mal, bem como aconteceu comigo quando da passagem do meu cálculo duas semanas atrás. Agora, me pergunte se eu me revolto por isso. Não consigo! Como me revoltar contra um sistema que mal contribuo para melhorar. Impostos são o mínimo que podemos fazer para contribuir com a melhora da sociedade. Um Estado não se faz apenas de dinheiro. Se fôssemos mais honestos e socialmente ativos, tenho a impressão de que nossa carga tributária não seria tão grande bem como o serviço público seria de melhor qualidade. Ainda que essa reflexão não justifique a inércia Estatal, que se apresenta muitas vezes, se seriamente analisada, aliviaria muito alguns dos gargalos da saúde pública em nosso país.
Moro em uma cidade que é referência turística do Brasil. Uma cidade que foi escolhida como uma das sedes da Copa 2014. Uma cidade que tem um potencial único na região. Uma cidade que tem belezas naturais incomparáveis. Ainda assim uma cidade onde impera o caos da saúde. Entra governo, sai governo e pouco acontece, muito menos ainda muda.
É fato que o poder público negligencia DEMAIS essa área, mas forço-me a dizer que novamente a culpa é NOSSA! Quando foi a última vez que você ou eu nos dirigimos à Prefeitura, Governadoria e/ou Planalto para, de forma organizada e sóbria, fazer uma reclamação e posterior acompanhamento quanto à essa questão? Talvez você diga que uma andorinha só não faz verão, e sou forçado a concordar, mas nunca foi essa a proposta. A questão é que somos extremamente acomodados, e principalmente quando se trata de saúde, onde o tempo que passamos doentes tende a ser sempre muito menor do que o tempo que passamos saudáveis.
A solução que nós, povo acomodado encontrou, foi simplesmente ignorar todos esses fatos e ceder à sedução do sistema capitalista que promete vender-nos uma saúde "MUITO" melhor por um preço meramente simbólico diante da importância daquilo que buscamos. Minha crítica hoje não visa provar que podemos economizar em saúde - por que, fato é, NÃO PODEMOS - mas sim conduzir à uma reflexão quanto à nossa parcela de responsabilidade nesse problema que certamente, com o nível de envolvimento da sociedade atual, não se resolverá tão cedo. Com isso não há muito o que se fazer, senão "vender saúde" (hora extra, levar trabalho para casa e etc) para, seja para nós ou nossos filhos, "comprar PLANO DE SAÚDE".
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