Páginas

domingo, 8 de maio de 2011

Inércia Mental

A imagem ao lado ilustra de forma clara a situação que vivemos hoje. Essa semana assistimos à uma decisão que, certamente mudará os rumos da sociedade. O STF, por unanimidade, decidiu por equiparar a união homoafetiva à união estável entre homem e mulher, concedendo aos casais homoafetivos 111 novos direitos, mantendo-os privados, na esfera familiar, de apenas um direito, o do casamento civil.

Como muitos defendem, e de certa forma, ainda que contrário à algumas, eu aceito que a sociedade esteja em constante transformação. O que me preocupa, contudo, é assistir à tantas pessoas tentando de todas as formas atravessar o labirinto da vida de olhos vendados.

Justamente quanto à essa questão da união homoafetiva, na escola onde trabalho, questionei diversos instrutores. Não poderia ter-me surpreendido mais. Ouvi desde: "Sou contra e PONTO, não me interesso pelo que as pessoas pensam!" até: "Para mim não faz diferença", passando é claro pelos: "Sou a favor". Confesso que, independente da minha posição ideológica, não é o fato de alguns terem se manifestado a favor ou contra que me assustou, mas sim o fato de a maioria ter-se demonstrado alheia à questão, e àqueles que se posicionaram, fosse de um lado ou de outro, não terem qualquer fundamentação para seu posicionamento. É essa atitude um dos maiores obstáculos para o crescimento e desenvolvimento do nosso país.

Vivemos uma época complexa, é certo, onde temos inúmeras preocupações e responsabilidades, porém independente de qualquer coisa, não podemos nos isentar de cuidar daquilo que deve permear nossa existência, nossas crenças e ideologias, que são as próprias lentes através das quais vemos o que nos rodeia. É dessa crise que padecemos nos dias atuais.

Já há mais de 2 décadas cantava Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver..." Hoje no entanto, nos furtamos desse privilégio e das experiências que com ele poderíamos desenvolver. Nos tornamos uma sociedade extremamente volátil. Nossa maior preocupação é favorecer-nos em detrimento de qualquer outra coisa, oxalá, pelo menos fosse essa preocupação não meramente financeira mas também social.

Platão, não sem razão, defendia em sua "República" que o Estado deveria ser governado pelos Filósofos, por serem eles, em essência, os únicos capazes de dedicarem-se de forma exclusiva ao pensamento introspectivo e especulativo, sendo esse esforço o único capaz de promover políticas justas e corretas. Talvez não tenhamos a intenção de governar um Estado, seja federal ou federado, uma cidade, ou sequer uma família. Mas não podemos nos furtar à responsabilidade, de, na pior das hipóteses, governar nossa própria vida!

Se não nos despertarmos, vejo o dia em que essa praga se alastrará de tal forma que não viveremos mais em sociedade, mas sim em isolamento, apenas retwittando, comentando e/ou meramente "curtindo" o que acontece com pessoas que já não mais conhecemos e sobre tópicos que sequer compreendemos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário