
Esse é o quinto de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.
Sem dúvida essa me parece ser uma época bastante apropriada para escrever sobre Educação. Vimos, recentemente, uma das manifestações mais pungentes da última década sobre esse assunto. Quando o vídeo da Professora Amanda Gurgel foi compartilhado por intelectuais e celebridades, logo a Educação voltou a ser o tema das rodas de amigos, seja em casa, na universidade e até mesmo no bar. E talvez seja justamente esse o erro: voltou a ser tema de discussão dessas rodas.
Quando se fala em filhos, uma das mais sérias preocupações de pais, avós e mesmo da sociedade é justamente a questão da Educação, e não poderia ser diferente, afinal, é a Educação que determina, em grande parte, nosso nível de sucesso profissional, social, familiar e muitas vezes mesmo pessoal. Estou convencido, no entanto que, a maneira como essa preocupação se manifesta é o cerne do problema educacional do Brasil.
Há algumas décadas o estudo era mesmo um privilégio de poucos. A falta de estrutura, tecnologia entre outros motivos dificultavam em demasia o acesso à educação básica; ainda assim muito pais faziam um enorme esforço para que os filhos tivessem acesso à algo que sua geração sequer havia imaginado existir. Hoje certamente não é muito diferente. Fazemos grandes esforços para que nossos filhos tenham acesso aquilo que de melhor podem ter nessa época, a Educação. O grande detalhe, é a maneira como nos esforçamos hoje, em contraposição à maneira como nossos pais se esforçaram no passado.
Em nossa época é muito mais fácil fazer hora extra para pagar uma boa escola particular do que acordar de madrugada para buscar uma vaga em uma boa escola pública. É muito mais fácil trabalhar no final de semana para pagar um reforço do que dedicar um tempo para fazer os exercícios de matemática com nosso filho. Muito mais fácil levar trabalho para casa à noite do que levar o filho para a escola pela manhã. É mais fácil participar de uma reunião de negócios do que participar da Reunião de Pais e Mestres (se é que isso ainda existe... :S)... Ou seja, mais fácil é "comprar" do que "prover" educação. Dessa forma não há como negar que o custo para se educar uma criança se exorbita a ponto de desanimar até mesmo os mais otimistas.
Nesse cenário muitos pode argüir que no passado era diferente e a escola pública era de melhor qualidade, e pode ser mesmo que fosse, mas por que deixou de ser hoje... Sim... Culpa dos políticos!? Ou talvez do capitalismo...? Que tal dos professores não comprometidos...? Certamente culpa de qualquer um menos minha e sua não é!?
Essa semana recebi alguns convites para participar de uma manifestação pela Educação... Certo é que participarei, mas manifestação alguma funcionará a menos que abandonemos nossa inércia, hipocrisia e preguiça e lutemos por aquilo que nos é constitucionalmente garantido... EDUCAÇÃO PÚBLICA DE QUALIDADE! E que, na pior de todas as hipóteses, sejamos nós mesmos essa educação de qualidade, em nossos lares e comunidades, deixando para trás a segurança efêmera de que, para ser satisfatória EDUCAÇÃO tem que ser PRIVADA!
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