
"Todo jovem tem direito a sua época socialista..." Em outras palavras essa, sem dúvida, foi uma das frases mais repugnantes que ouvi e sou capaz de me recordar, confesso que fico até feliz em não me lembrar quem o disse exceto pelo sentimento de que foi uma pessoa culta e proeminente.
É mesmo compreensível alguém que vive confortávelmente em sua casa própria com carro do ano na garagem e livre de qualquer necessidade pensar dessa forma. Quando jovem vê-se o sistema como um monstro, mas o tempo vai passando e acontece como ao sapo que colocado em uma panela de água fria morre cozido por se acostumar com a elevação gradativa da temperatura decorrente da exposição da panela ao fogo, ou seja, aquilo que era inaceitável passa a ser razoável e de razoável acaba por se tornar agradável. Mas será mesmo que deve ser assim? Temos que perder o espírito de mudança e desejo de contribuir para uma causa maior por conta do nosso egoísmo incontrolável?
Nesse cenário, sem dúvida, um dos maiores vilões é o conformismo. "Todo mundo pensa assim, todo mundo faz assim, quem sou eu para mudar as coisas?" Interessante é que por mais que as vezes pareça ser necessário mudar o mundo, muito menos se exige. Pense no caso de muitos cargos públicos no Brasil, um dos exemplos mais gritantes para mim é o dos "office boys" de luxo dos tribunais, vulgo "Oficiais de Justiça" que recebem hoje um salário de aproximadamente R$ 10.000,00 para fazer trabalho de carteiro. Não que o trabalho não seja importante, mas porque não pagam ao seu Zé, carteiro do bairro metade disso? Sem contar aqueles que se aproveitam do sistema deficiente e conseguem, de forma LEGAL, trabalhar 2-3 dias por semana. "Vida boa, vida boa, sapo caiu na lagoa..."
Mais uma vez a questão nunca seria o salário desproporcional se houvesse produtividade. Já pensou se no Brasil ganhássemos por hora como em países como EUA, Canadá e Inglaterra? Temos um grande déficit de produtividade em nosso país e muito disso é graças ao inchaço da máquina estatal que não é capaz de controlar os seus e acaba por desperdiçar muito mais do que o dinheiro do contribuinte, mas a força de toda uma nação.
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