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domingo, 17 de abril de 2011

O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos - "Alimentação"

Esse é o segundo de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.

Seguindo a ordem das necessidades como apresentadas no tópico da semana passada hoje é dia de falar sobre "ALIMENTAÇÃO".

É fato que em todas as épocas a alimentação foi uma necessidade, tal qual a moradia, primordial para a sobrevivência humana, no entanto, o tipo de esforço envolvido na satisfação dessa necessidade é que mudou consideravelmente. Pode-se dizer que grande parte dessa mudança deu-se a partir do século XVIII com a Revolução Industrial. Até então, as famílias plantavam grande parte de sua própria comida, consistindo no plantio e respectiva colheita o esforço necessário para sustentar um filho.

Mas com a industrialização muita coisa mudou. Descobriu-se que o homem poderia empregar sua força física e mental em outras tarefas que não a do plantio e colheita, passaram a designar essa tarefa, portanto, às maquinas. Não que essas não sejam um avanço, muito pelo contrário, mas esse mesmo avanço fez com que o homem retrocedesse quanto à sua consciência relativa aos hábitos alimentares que durante milênios desenvolveu. Em algo em torno de 2 séculos a humanidade simplesmente esqueceu aquilo que é "natural" e passou a conviver de forma extremamente amigável com o que é "artificial".

Mas as indústrias não se contentaram com o mero controle do processamento do "alimento da terra", elas passaram a prepará-lo. Surgiram com isso as grandes redes de restaurantes. Logo, seja por demanda social ou por meros interesses econômicos, foram desenvolvidos processos de otimização do tempo de preparo do alimento resultando no que hoje conhecemos como "FAST FOOD". Com tamanho controle não tardou muito até que as Indústrias começassem a produzir seu próprio alimento, surgem os biscoitos recheados, salgadinhos, empanados, refrigerantes e afins, a famosa "JUNK FOOD". Tudo, mais uma vez, como um processo de economização daquilo que a terra nos dá "livremente".

Não bastasse TUDO o que já foi mencionado, um sistema extremamente eficiente de publicização dos "novos" hábitos alimentares foi desenvolvido de modo a entrar de forma definitiva nos lares dos bilhões de pessoas que tem acesso à uma televisão. As crianças já não se interessam mais em comer legumes, mas não rejeitam um "Danoninho", torcem o nariz para comer arroz e feijão, mas não pensam duas vezes antes de abocanhar um "grande" "Big Mac", não tomam mais água vivendo à base de refresco em pó ou refrigerante. Não pode ser surpresa nenhuma o aumento grotesco no índice de doenças graves, em crianças, que passado eram praticamente exclusivas dos adultos.

A saúde, no entanto, não é o único aspecto da vida que tem sido afetado por esse sistema. Já não se vê em quase lugar algum a família reunida ao redor da mesa para se alimentar, já não se pode mais elogiar a comida da "mamãe", quem dirá a da "vovó". Muitos dos laços afetivos e memórias, que no passado eram criados ao redor da mesa de jantar hoje se resumem à convites para um ou outro almoço rápido no shopping ou um jantar no dia de Natal. O que esperar dos custos emocionais resultantes desse processo? É possível que sejam ainda muito maiores do que os financeiros.

Diante desse cenário, não posso discordar do fato que alimentar um filho seja realmente MUUUITO caro, porém, quem foi que disse que temos que dançar de acordo com "essa" música? Estou certo de que, mesmo diante das muitas limitações a nós impostas, podemos, ainda que minimamente e retornar às origens, escolher a ALIMENTAÇÃO NATURAL em detrimento da ALIMENTAÇÃO ARTIFICIAL.

3 comentários:

  1. Excelente artigo, concordo que com o mundo globalizado onde o que vale e a rapidez dos alimentos chamados " Fast Food" e a mídia que incentiva muito tudo isso, torna muito difícil aos pais incentivar a prática de uma alimentação saudável. E pior,muitos dos pais de hoje, já cresceram com os mesmos hábitos de alimentação errada e passam para os filhos e assim sucessivamente.
    Abraço,
    Cíntia Abrantes

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  2. Ok, pelo que eu entendi voce esta tentando provar, ou argumentar, que e' possivel criar uma grande familia (seus 7 futuros filhos) sem possuir "milhoes". Mas aqui neste artigo, qual seria o objetivo? Voce esta dizendo que Fast Food e' a opcao mais cara, ou simplesmente a menos saudavel? Porque nem sempre uma alimentacao SAUDAVEL e NATURAL e' a opcao mais barata. A nao ser que voce tenha uma horta no quintal de casa...

    Natascha

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  3. Natascscscscha!... Muito Obrigado pelo comentário... CONCORDO PLENAMENTE! Infelizmente comer de forma saudável hoje dá mesmo muito "trabalho", mas será que é tão caro mesmo? Claro que não estamos falando de alimentar-se somente de produtos orgânicos, mas durante quantos dias você alimenta UMA FAMÍLIA com 1kg de Arroz e Feijão? A famosa casadinha brasileira ainda hoje custa metade de 1 Big Mac que mal alimenta UMA pessoa. Quanto à questão de ser mais caro ou menos saudável... Thoreau certa vez afirmou que "o preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por ela..." sendo assim devo concluir que em todos os sentidos FAST/JUNK FOOD é MUUUITO mais caro, afinal, quanta saúde e vida você troca por ele? Mas que fique claro, não sou daqueles radicais que querem banir o FAST/JUNK food do mundo. Só não acho correto culpar o preço que se paga nele para justificar a baixa, e algumas vezes "não natalidade". ;) Só penso que podemos fazer o "sacrifício" de voltar um pouco às nossas origens alimentares em troca da satisfação e alegria impagáveis de se ter uma GRANDE FAMÍLIA! :D Aquele Abraço!

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