
Esse é o primeiro de uma série de seis posts que publicarei semanalmente sobre "O Preço de um Filho & A Teoria dos Adjetivos" entre os meses de Abril e Maio de 2011.
Talvez à priori o leitor se pergunte o que tem a ver o tema desse post com o título do Blog. A ponderação sincera indicará um forte vínculo entre os temas.
Recentemente ministrava uma aula na qual falávamos da importância da política na sociedade e eventualmente o tópico voltou-se para a família. Expressei minha intenção de ter 7 filhos o que causou certo espanto entre os ouvintes, todos adultos, alguns bem jovens, outros mais velhos, todos extremamente inteligentes e bem preparados. Quase que automaticamente a questão voltou-se para o custo de se criar um filho. Para os que me conhecem, tenho uma visão bastante - para alguns otimista, para a maioria irresponsável - quando se trata de finanças, e no que diz respeito à filhos não poderia ser muito diferente. Somos frutos do meio, não há o que se discutir à esse respeito, e o meio em que cresci e as pessoas com quem convivi me mostraram que é possível, ainda que eu não fosse maduro o suficiente para entender como, termos famílias grandes sem que milhões sejam exigidos. Como mencionei, nunca soubera explicar de forma lógica como isso era/é possível, no entanto, nesse dia, de forma quase que automática algumas idéias me ocorreram para fazê-lo, assim surgiu a "Teoria dos Adjetivos".
A primeira grande preocupação de uma pessoa normal (enfatizo normal por que nesse sentido me considero anormal por simplesmente não conseguir me "preocupar") quando se trata de filhos é a estrutura necessária para a sua criação. Bem, isso me parece ser um padrão desde os primórdios da humanidade. Ainda que de formas diferentes, em praticamente todas as civilizações encontramos os seguintes elementos listados como essenciais à criação de um filho:
1. Moradia;
2. Alimentação;
3. Vestuário;
4. Saúde;
5. Educação;
6. Entretenimento;
Pois bem, quanto à isso creio que temos um consenso. A questão é que esses mesmo elementos, ainda que em todas as épocas necessários, não parecem ter impedido nossos antepassados de terem grandes famílias não é verdade? Por que nos impedem hoje? Tudo é culpa dos adjetivos. Comecemos com a "MORADIA".
Antigamente morava-se em cavernas, casas de palha, barro, madeira, alvenaria... Muitos foram os momentos em que a sociedade impôs padrões para a moradia. Até que chegamos ao momento em que mais do que um mero teto, precisamos de um quarto plenamente mobiliado para cada um dos filhos com tudo o que se tem "direito". Cada nascimento é acompanhado pela obrigação de uma reforma e/ou renovação de cômodos, móveis e afins. Muitos defendem que essa "preparação" faz com que a criança se sinta amada e bem recebida. Bem... Não sei vocês, mas eu simplesmente não consigo lembrar se meu berço era branco, amarelo, novo, usado, inteiro, quebrado, ou se sequer tive um. Não me vem a memória se o quarto fora pintado, reformado ou se ao menos me era exclusivo. Não me recordo de ter um guarda roupa combinando com o abajur, que por sua vez combinava com a cômoda que fazia par com a cama. Confesso que no fundo não me lembro de NADA! Então por que nos preocupamos tanto com isso?
Existe uma necessidade inerente ao ser humano de ser aceito por aqueles com quem convive, porém, para que isso aconteça, muitas vezes você precisa acompanhar o grupo. O grupo a que pertencemos hoje é um grupo bajulador, consumista e copiador. Muito do que possuímos não possuímos por necessidade, muitas vezes sequer por desejo, mas sim por que outros possuem. Além dessa realidade, sofremos da síndrome da necessidade de agradar/impressionar muitos daqueles que sequer conhecemos. Essa cultura tem sido incutida em nossa mente ao longo da história, de modo que quase não percebemos, apenas seguimos. Essa tendência nos leva a acreditar que tudo o que buscamos é na verdade o mínimo, ainda que esse mesmo mínimo em épocas passadas fosse muito menos exigente. Dessa forma, a necessidade que outrora tinha o intuito de proteger das intempéries, de predadores e outras ameaças basicamente físicas passou a ter o intuito de ostentar e diferenciar. Essa é a marca da sociedade como constituída atualmente. Ainda que diversas outras variáveis possam ser discutidas, cada qual com seus méritos, a mera necessidade de uma "moradia", termo objetivo, de simples compreensão e interpretação, passou a ter uma carga extremamente subjetiva e volitiva ao ser redefinida como moradia CONFORTÁVEL.
O velho "pedacinho do céu" que antes era construído com extremo esforço por cada um, hoje, ainda que ilusóriamente, mesmo antes da formação da família, pode ser "adquirido" em até 24 vezes no carnê. Não me surpreende o fato de termos tantos filhos/jovens infelizes, revoltados e deprimidos "cobertos" por um conforto sequer sonhado por aqueles que os antecederam.
Compartilho da mesma visão. Não sei se posso defender os 7 filhos (hehe) mas com certeza eu teria uns 4 ou 5. Em uma sociedade extremamente consumista (e posso adicionar, Capitalista), aparentemente só os bens materiais é que contam. Na minha visão isso pode ser até egoísmo por parte dos que seriam futuros pais. Btw, seu blog está começando mto bem! Já add nos favoritos. =)
ResponderExcluirAbraço!
Nossa! adorei o texto. ah visão que você tem é realmente correta e se todos pensassem dessa mesma forma acredito que nossa sociedade seria mais justa. parabéns você começou com o pé direito e mal posso esperar pelos próximos itens dos 6 de sua lista...
ResponderExcluirOi Moço!
ResponderExcluirJa tava na hora mesmo de tu criar um blog, pois sei que assim como seu pai tens o dom de escrever.
Adorei texto super inteligente e realista tambem.
Bjao e saudades
Fer
Começou bem mesmoo !o texto esta fantastico,Parabens !!!
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